Astrologia

Plutão

Plutão (em latim Pluto) é, do ponto de vista astronómico, um planeta anão classificado como tal pela União Astronómica Internacional em 2006 — mas em astrologia mantém o estatuto de planeta de pleno direito. Foi descoberto por Clyde Tombaugh a 18 de fevereiro de 1930. Completa uma volta em torno do Sol em cerca de 248 anos, com órbita excêntrica que atravessa um signo do zodíaco entre 12 e 31 anos. No mapa natal, representa a transformação radical, o poder, a sombra, a morte e o renascimento. É o regente moderno de Escorpião. O glifo é ♇ (ou ⯓).

Origem e mito

Após Neptuno, anomalias percebidas levaram Percival Lowell a postular a existência de um «Planeta X» nos confins do sistema solar. Lowell morreu antes de o encontrar; foi o jovem astrónomo Clyde Tombaugh, no Observatório Lowell em Flagstaff (Arizona), a identificá-lo a 18 de fevereiro de 1930. O nome Pluto foi proposto por uma menina de 11 anos de Oxford, Venetia Burney, e adotado por unanimidade — não por acaso, as duas primeiras letras são as iniciais de Percival Lowell, e o nome evocava o deus do submundo, apropriado para um planeta tão distante e escuro.

Plutão é o equivalente romano do Hades grego, deus do submundo, irmão de Zeus e Posídon, senhor dos mortos e das riquezas subterrâneas (ploutos = riqueza). Hades raptou Perséfone, filha de Deméter, e fê-la sua rainha — mito central que estrutura os mistérios de Elêusis e o ciclo das estações. Em astrologia, a sincronia da descoberta de Plutão com a ascensão dos totalitarismos (estalinismo, nazismo), a descoberta da fissão nuclear (1938), a Grande Depressão e a psicanálise profunda da sombra (Jung) levou a atribuir-lhe a temática do poder absoluto, da transformação radical, da morte e renascimento, do tabu e do oculto. Em 2006, a IAU reclassificou Plutão como planeta anão — facto que não afetou o seu uso astrológico.

Significado astrológico

Plutão representa a função da transformação radical: o que morre para que algo novo nasça, o poder profundo, a libido subterrânea, o tabu, a obsessão, o que está enterrado no inconsciente individual e coletivo, a sombra arquetípica. É o planeta que destrói o que se tornou inautêntico para que a alma renasça. Trabalha lentamente mas com força inexorável — o que toca, transforma totalmente. Na astrologia psicológica, Plutão é a função de individuação radical, o confronto com o «núcleo» do ser que exige aceitação ou destruição.

A posição de Plutão por signo é geracional. Plutão em Leão (1937-1956): geração baby-boomer, reescrita do ego e da autoexpressão. Plutão em Virgem (1956-1972): geração X, transformação do trabalho, da saúde, do corpo. Plutão em Balança (1971-1984): transformação dos vínculos e do casamento. Plutão em Escorpião (1983-1995, em domicílio): geração da sexualidade transformada e do digital subterrâneo. Plutão em Sagitário (1995-2008): globalização do sentido. Plutão em Capricórnio (2008-2024): destruição de estruturas. Plutão em Aquário (2024-2044): transformação do coletivo. Por casa, é mais pessoal: indica em que área vives processos profundos de morte e renascimento.

Na prática

A quadratura de Plutão trânsito ao Plutão natal não é uniforme: ocorre entre os 35 e os 70 anos, dependendo da geração — para nascidos com Plutão em signos de movimento rápido, pode ocorrer aos 30; para outros, mais tarde. É um dos trânsitos mais transformadores da vida adulta. Trânsitos de Plutão sobre planetas pessoais (Sol, Lua, Vénus, Marte, ascendente) duram entre 1 e 3 anos e são períodos de transformação inevitável da área correspondente — frequentemente acompanhados de «mortes» simbólicas (de relações, de identidades, de carreiras).

Aspetos natais de Plutão com a Lua mostram intensidade emocional e por vezes feridas profundas com a mãe; com Vénus, paixões transformadoras; com Marte, vontade de ferro; com Mercúrio, mente investigadora. No mapa natal obténs a posição exata. Para uma leitura quotidiana, consulta o horóscopo do dia. Profissões plutonianas: psicoterapeutas, investigadores, cirurgiões, agentes de informação, ocultistas, gestores de crise, arqueólogos.

Profundidade simbólica

Em chave alquímica, Plutão corresponde à nigredo mais profunda, a putrefação total que precede a regeneração — o «trabalho ao negro». C. G. Jung, embora não trabalhasse diretamente com Plutão (o planeta foi descoberto durante a sua maturidade), dedicou a sua obra à confrontação com a Sombra e ao processo de individuação — temas plutonianos por excelência. Richard Tarnas, em Cosmos and Psyche, identifica Plutão com o arquétipo de Dionysos-Hades, e com a libido freudiana enquanto força transformadora. No tarô, os arcanos associados são A Morte (XIII) — transformação radical — e O Julgamento (XX) — ressurreição final. Vê A Morte.

Na cabala, Plutão não tem correspondência tradicional, mas autores modernos associam-no à descida pela Árvore da Vida até Malkhut, ou ao trabalho com as klipoth (cascas/sombras). O elemento associado é a terra em decomposição, transformação subterrânea; as pedras, a obsidiana, a turmalina negra, a granada, o jaspe vermelho-escuro, a hematite; as cores, o preto, o vermelho-sangue, o púrpura noturno. Partes do corpo regidas: órgãos reprodutores, ADN, sistema celular profundo, processos de morte celular e regeneração. Para explorar mais, consulta Escorpião, Lilith e o glossário.

Também conhecido como

  • Pluto
  • Hades
  • Senhor do submundo
  • Planeta da transformação

← Voltar ao Glossário