Esoterismo

Akasha

O Akasha (sânscrito आकाश, «espaço», «éter») é, na tradição indiana, o quinto elemento — aquele que sustém e penetra os outros quatro (terra, água, fogo, ar). Não é o vazio físico, mas um meio subtil, vibrante, que tudo contém e tudo regista. Para a Teosofia e a Antroposofia, o akasha é o substrato cósmico onde ficam impressos, como num campo de memória universal, todos os acontecimentos do passado, presente e futuro — os célebres Registos Akáshicos. É o «livro da vida» de muitas tradições esotéricas.

Origem

O termo é védico e aparece nos Upanishads (a partir de 800 a.C.) como um dos cinco grandes elementos (pañcamahābhūta): terra, água, fogo, ar e éter. O Chāndogya Upanishad identifica o akasha com o Absoluto (Brahman): «O akasha é o nome e a forma daquilo do qual tudo isto provém». No sistema do Sāṃkhya e do Yoga, o akasha é o primeiro dos elementos a emergir da matéria primordial (prakṛti) e o suporte do som (śabda). Na filosofia Nyāya-Vaiśeṣika, é uma substância eterna, infinita e imperceptível diretamente.

No Ocidente, o conceito é introduzido pela Teosofia de Helena Blavatsky em Ísis sem Véu (1877) e A Doutrina Secreta (1888). Blavatsky funde o akasha hindu com o éter dos físicos do século XIX e com a luz astral de Éliphas Lévi, propondo-o como o meio universal onde todo o saber está registado. Rudolf Steiner, em A Crónica Akáshica (1904-1908), desenvolve o conceito, descrevendo como acedeu clarividentemente a esses registos. Edgar Cayce, o «profeta adormecido» americano (1877-1945), terá efetuado milhares de leituras a partir dos registos akáshicos.

Os Registos Akáshicos

Os Registos Akáshicos (Akashic Records) são descritos como uma biblioteca cósmica onde cada pensamento, palavra e ação de cada ser ficaria gravado. A imagem varia: para uns é uma vasta biblioteca celeste, para outros uma matriz vibratória, um «campo de informação» (Ervin Laszlo) ou um disco rígido universal. O acesso seria possível por estados alterados de consciência: meditação profunda, hipnose, sonho lúcido, viagem astral. Cada alma teria também o seu próprio «registo», contendo todas as suas encarnações — o que aproxima o akasha do conceito de memória kármica.

A noção tem encontrado curiosos paralelos na física e na biologia contemporâneas. Rupert Sheldrake propôs os campos morfogenéticos: campos invisíveis que conservam padrões de organização biológica. Ervin Laszlo defende a existência de um campo akáshico (também chamado «campo psi» ou «campo de informação quântica») que explicaria fenómenos de não-localidade, ressonância e memória coletiva. Embora controversas, estas hipóteses mostram que a velha intuição védica continua a interrogar a ciência.

Na prática

A consulta aos registos akáshicos faz-se classicamente em estado meditativo, com permissão pedida aos «Guardiões dos Registos», e seguindo um protocolo (oração de abertura, perguntas claras, oração de encerramento). Edgar Cayce fazia-o em transe; correntes contemporâneas (Linda Howe, entre outras) ensinam-no como técnica acessível. A leitura permitiria compreender padrões kármicos recorrentes, talentos não desenvolvidos de vidas passadas, e o «contrato de alma» da presente encarnação. Os praticantes salientam a necessidade de discernimento: nem tudo o que surge num estado alterado é mensagem akáshica autêntica.

O akasha como elemento entra também na prática yogica clássica: o chakra da garganta (Vishuddha) tem como elemento o éter, sendo o portal entre o material e o sutil. No tarô, cartas como A Sacerdotisa (que guarda o livro do saber oculto) e A Lua (que abre o acesso ao inconsciente coletivo) são reflexos akáshicos. Na numerologia, o 7 e o 11 estão ligados à intuição akáshica. Mais no Glossário.

Profundidade simbólica

Simbolicamente, o akasha é a memória do cosmos — a resposta à inquietação humana de saber se o que vivemos se perde. Nada se perde, afirma a doutrina akáshica: tudo é guardado, tudo deixa rasto. Esta noção partilha território com o «livro da vida» da Bíblia (Apocalipse 20:12), com as Moiras gregas que tecem o destino, com as nornas nórdicas e com os escribas divinos do antigo Egito (Tot). É também irmã da ideia jungiana de inconsciente coletivo: uma camada profunda da psique partilhada por toda a humanidade, povoada de arquétipos.

O akasha aproxima a metafísica indiana de questões científicas contemporâneas sobre a natureza da informação, da consciência e do espaço-tempo. Físicos como David Bohm (com o seu conceito de ordem implicada) e biólogos como Rupert Sheldrake retomam intuições muito antigas. Na Cabala, o akasha encontra paralelo no Sefer (o livro), uma das três expressões através das quais o divino se manifesta (livro, número, conta — sefer, sefar, sippur). Tudo se inscreve, tudo se lê, tudo se conta. Ver também Aura.

Também conhecido como

  • éter
  • quinto elemento
  • luz astral
  • campo akáshico
  • memória cósmica

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