Esoterismo

Chakra da Garganta (Vishuddha)

O Chakra da Garganta ou Vishuddha (sânscrito विशुद्ध, «puríssimo», «purificado») é o quinto dos sete chakras principais, situado na garganta, à altura da laringe. Está associado à cor azul (turquesa ou celeste), ao elemento éter ou akasha, ao sentido do ouvido e ao mantra-semente HAM. É o centro da expressão autêntica, da comunicação verdadeira, da escuta, da palavra criadora e da capacidade de manifestar no mundo a verdade interior. É o primeiro dos chakras superiores e a porta entre o material e o subtil.

Origem

O Vishuddha é descrito nos textos tântricos como um lótus de dezesseis pétalas violáceas ou fumadas (a associação ao azul-celeste é uma convenção ocidental). No centro encontra-se um yantra com um círculo branco (símbolo do éter) e, em algumas representações, um triângulo invertido com um elefante branco. As dezesseis pétalas levam inscritas as sílabas das vogais sânscritas. A divindade tutelar é Sadāśiva, forma andrógina de Shiva, com a sua śakti Shakini. O nome «puríssimo» refere-se à purificação que se exige para que a palavra possa ser veículo de verdade.

A noção do poder criador da palavra é universal: «No princípio era o Verbo» (Evangelho de João), vāc nos Vedas (a deusa da fala), kun no Corão, kotodama no xintoísmo japonês. A Teosofia e a tradição esotérica ocidental insistiram desde sempre no poder dos mantras e dos nomes sagrados. No Ocidente moderno, autores como Anodea Judith e Caroline Myss desenvolveram a leitura psicossomática do Vishuddha como sede da autenticidade comunicativa. Numa cultura saturada de palavras vazias, o trabalho com este chakra ganha relevância terapêutica especial.

Funções e desequilíbrios

O Vishuddha governa a garganta, a tiroide, as paratiroides, a laringe, as cordas vocais, a boca, a língua, os ouvidos, a parte alta dos pulmões, os ombros e o pescoço. No plano psíquico, está ligado à expressão da verdade pessoal, à capacidade de comunicar com clareza, à escuta verdadeira, ao silêncio fértil, à criatividade verbal e artística, e à coragem de dizer o que precisa de ser dito. Está intimamente ligado também à integridade: viver alinhado entre o que se sente, se pensa e se diz.

Um Vishuddha hipoativo manifesta-se como timidez, dificuldade em exprimir-se, voz fraca ou enrouquecida, mentir por omissão, problemas de tiroide, dor de garganta crónica, sensação de «engolir» as palavras. Hiperativo, expressa-se como verbosidade, falar demais sem escutar, dogmatismo, mentir compulsivamente, fofoca, hipertireoidismo. O equilíbrio traduz-se em palavra justa: dizer o que é verdadeiro, no momento certo, com o tom adequado, e saber também calar-se. A grande maturidade do Vishuddha é a sintonia entre dizer e calar.

Na prática

Posturas de yoga que ativam o Vishuddha: sarvangasana (vela), halasana (arado), matsyasana (peixe), jalandhara bandha (fechadura da garganta), simhasana (postura do leão). Pranayama: ujjayi (respiração vitoriosa, com ligeira constrição da glote), bhramari (zumbido de abelha). Mantra: HAM, ou o canto prolongado e consciente. Cantar — em qualquer estilo — é uma das práticas mais diretas para abrir este centro. Escrever um diário, falar verdade em conversas difíceis, manter silêncios prolongados (mesmo um dia por semana) também o purificam.

Cristais: lápis-lazúli, turquesa, aquamarina, sodalite, ágata-azul-rendada. Aromas: eucalipto, hortelã-pimenta, mirra, camomila. Na numerologia, o 3 (expressão) e o 5 (comunicação, mudança) ressoam com Vishuddha. Na astrologia, Mercúrio (palavra, intelecto) e os signos de Gémeos e Virgem têm afinidade direta. No tarô, O Hierofante (transmissão sagrada do verbo) e O Mago (palavra criadora) expressam este chakra. Ver também Akasha e mais no Glossário.

Profundidade simbólica

Simbolicamente, o Vishuddha é a ponte entre o coração e o terceiro olho, entre o sentir e o ver, entre o íntimo e o público. Toda criação começa por uma palavra interior; toda transformação social começa por alguém que ousa dizer o que vê. Por isso este chakra é, em culturas opressoras, um dos primeiros a ser bloqueado: ensina-se desde criança a calar, a não desafiar, a engolir. Abrir o Vishuddha é, portanto, também um ato político — recuperar a voz própria. O elemento éter, ao mesmo tempo, recorda que a palavra autêntica não é ruído: emana de um silêncio profundo. Quem fala muito não fala bem.

Encontra-se paralelo na Sephira Daat (Conhecimento) da Cabala, situada no pescoço da Árvore da Vida, ponto de passagem entre o supernal e o manifestado. Daat é o «conhecimento que une» — e une-se pela palavra. Na alquimia, o Vishuddha pertence à fase final, em que o opus se torna comunicável e transmissível. Em C. G. Jung, é o local da persona autêntica: a máscara que não é máscara, a aparição social que não trai a essência. O Vishuddha plenamente desenvolvido é o do mestre que «só fala quando o silêncio se torna mais ruidoso do que as palavras» (provérbio sufi). Ver também terceira casa.

Também conhecido como

  • Vishuddha
  • chakra laríngeo
  • centro da garganta
  • lótus de dezesseis pétalas
  • chakra da expressão

← Voltar ao Glossário