Esoterismo

Chakra do Plexo Solar (Manipura)

O Chakra do Plexo Solar ou Manipura (sânscrito मणिपूर, «cidade de joias» ou «joia luminosa») é o terceiro dos sete chakras principais, situado no alto-ventre, entre o umbigo e o esterno, à altura do plexo solar. Está associado à cor amarela, ao elemento fogo, ao sentido da visão e ao mantra-semente RAM. É o centro da vontade pessoal, da autoestima, do poder, da identidade individual e do «fogo digestivo» (agni) que transforma alimento em energia, experiência em sabedoria.

Origem

O Manipura é descrito nos textos tântricos clássicos como um lótus de dez pétalas azul-violáceas (no Ocidente representadas como amarelas), contendo um yantra de triângulo invertido vermelho, símbolo do fogo. As dez pétalas levam inscritas as sílabas ḍaṁ, ḍhaṁ, ṇaṁ, taṁ, thaṁ, daṁ, dhaṁ, naṁ, paṁ, phaṁ. A divindade tutelar é Rudra (forma feroz de Shiva) com a sua śakti Lakini. O nome «cidade de joias» refere-se ao brilho ardente e à riqueza de energia transformadora que aqui se concentra.

No Ocidente, o Manipura ganhou contornos com a divulgação teosófica e com o trabalho de Carl Gustav Jung, que se interessou particularmente pelo simbolismo dos chakras nos seus seminários sobre o Kundalini Yoga em 1932. Jung leu o Manipura como a sede do ego e da consciência diurna, em contraste com os chakras mais profundos. Anodea Judith, na linha psicossomática moderna, desenvolveu a leitura deste centro como sede do poder pessoal e da capacidade de autoafirmação. É frequentemente o chakra mais bloqueado em pessoas com baixa autoestima ou submissão crónica.

Funções e desequilíbrios

O Manipura governa o sistema digestivo (estômago, fígado, vesícula, pâncreas, intestino delgado superior), o sistema nervoso autónomo no centro do tronco, o metabolismo. No plano psíquico, está ligado à identidade individual, à autoestima, ao poder pessoal, à coragem, à disciplina, à capacidade de tomar decisões e de defender os próprios limites. É o «eu sou» — o ponto onde a alma se afirma como indivíduo distinto. As experiências dos 14-21 anos (afirmação da identidade adolescente) marcam fortemente este chakra.

Um Manipura hipoativo manifesta-se como falta de iniciativa, indecisão, baixa autoestima, dependência da aprovação alheia, dificuldade em dizer «não», passividade, problemas digestivos. Hiperativo, expressa-se como autoritarismo, raiva, controlo compulsivo, agressividade, perfecionismo, úlceras, hiperacidez. O equilíbrio traduz-se em poder pessoal sereno: confiança sem arrogância, vontade clara, capacidade de agir sem precisar de dominar. Quem tem Manipura equilibrado «brilha» — irradia presença, sem precisar de impor-se.

Na prática

Posturas de yoga que ativam o Manipura: navasana (postura do barco), dhanurasana (arco), matsyendrasana (torção do peixe), uddiyana bandha (fechadura abdominal), todas as posturas de força nuclear. Pranayama: kapalabhati (respiração de fogo), bhastrika (fole). Mantra: RAM. Visualização: pequeno sol amarelo brilhante no centro do plexo solar, irradiando força. Jejuns moderados, banhos de sol, atividades que exijam decisão (artes marciais, desportos individuais) fortalecem este chakra.

Cristais: citrino, topázio, olho-de-tigre, âmbar, pirite. Aromas: gengibre, limão, canela, manjericão. Na numerologia, o 1 (afirmação do eu), o 3 (expressão) e o 8 (poder) ressoam com Manipura. Na astrologia, o Sol, Marte e os signos de Carneiro e Leão têm afinidade direta. No tarô, A Força, O Mago e o naipe de Paus/Bastões expressam temas do Manipura. Mais no Glossário.

Profundidade simbólica

Simbolicamente, o Manipura é o sol interior — o fogo que cada um traz dentro de si e que pode acolher ou ofuscar, alimentar ou apagar. O fogo é elemento ambivalente: aquece, cozinha, transforma, mas também queima, devora, destrói. O trabalho com o Manipura é precisamente aprender a manter a chama acesa sem incendiar nem extinguir. Em culturas que ensinam a baixar a cabeça e a obedecer, este chakra atrofia-se cedo. Recuperá-lo é um ato de soberania interior: aceder ao próprio poder sem dominar, expressar a própria vontade sem violência.

Encontra-se paralelo na Sephira Tiferet (Beleza) da Cabala, embora alguns autores liguem Tiferet ao chakra do coração; outros associam o Manipura à Sephira Hod ou Netzach conforme a leitura. O importante é o princípio: o ponto solar da Árvore da Vida. Na alquimia, o Manipura corresponde à citrinitas, fase amarela onde a matéria se aproxima do ouro. Em C. G. Jung, é o centro do ego e o ponto de partida da heroica viagem do herói (Joseph Campbell). O fogo do Manipura é também o do entusiasmo (do grego en-theos, «Deus dentro»): quando bem dirigido, leva o ser humano a feitos extraordinários. Ver também quinta casa.

Também conhecido como

  • Manipura
  • chakra do umbigo
  • centro solar
  • lótus de dez pétalas
  • chakra da vontade

← Voltar ao Glossário