Chakra Raiz (Muladhara)
O Chakra Raiz ou Muladhara (sânscrito मूलाधार, de mūla, «raiz», e ādhāra, «suporte») é o primeiro dos sete chakras principais, situado na base da coluna vertebral, junto ao períneo. Está associado à cor vermelha, ao elemento terra, ao sentido do olfato e ao mantra-semente LAM. É o centro do enraizamento, da segurança, da sobrevivência e da vitalidade física. É também o lugar onde, segundo a tradição tântrica, repousa enroscada a kundalini, a energia serpentina adormecida.
Origem
O conceito do Muladhara desenvolve-se nos textos do tantra hindu, em particular nos tratados do Ṣaṭ-Cakra-Nirūpaṇa (séc. XVI) e em escritos anteriores como o Yogini Hridaya. Representado como um lótus de quatro pétalas vermelhas, contém em si o yantra de um quadrado amarelo (símbolo da terra) com um triângulo invertido onde dorme a serpente kundalini, enrolada três vezes e meia em torno do shivalingam. As quatro pétalas levam inscritas as sílabas vam, śam, ṣam, sam, e a divindade que preside é Brahma, com a sua śakti Dakini.
No Ocidente, o Muladhara chega através das traduções de Arthur Avalon (John Woodroffe), The Serpent Power (1919), e da Teosofia. A associação direta entre o vermelho e o chakra raiz, embora presente nos textos clássicos, foi consolidada no Ocidente nas décadas de 1960-1970 com a popularização do sistema cromático arco-íris, em parte através da obra de autores como Anodea Judith (Wheels of Life, 1987) e Caroline Myss. Hoje é o ponto de partida quase obrigatório de qualquer iniciação aos chakras.
Funções e desequilíbrios
O Muladhara governa tudo aquilo que tem a ver com a base material da existência: corpo físico, ossos, dentes, pernas, sangue, sistema imunitário, glândulas suprarrenais. No plano psicológico, está ligado ao sentimento de segurança, à confiança no mundo, à pertença ao corpo, à família e à terra. As primeiras experiências da vida (gestação, nascimento, infância) gravam-se neste chakra. Em termos arquetípicos, corresponde ao instinto de sobrevivência e à energia da tribo.
Quando o Muladhara está hipoativo, surgem medo crónico, ansiedade, sensação de não pertencer, dificuldade em manifestar-se materialmente, distúrbios alimentares, fadiga inexplicável. Quando hiperativo, manifesta-se como apego excessivo ao material, ganância, rigidez, agressividade, materialismo. O equilíbrio traduz-se em enraizamento: presença no corpo, sensação de pertencer, capacidade de prover às próprias necessidades sem ansiedade, confiança na vida. Sem um Muladhara forte, os chakras superiores não podem realmente abrir-se de forma sustentável.
Na prática
O trabalho com o Muladhara começa pelo contacto com o corpo e a terra. Posturas de yoga que ativam este chakra: tadasana (postura da montanha), uttanasana (flexão para a frente), malasana (postura da guirlanda), virabhadrasana (guerreiros) e qualquer postura de equilíbrio. Pranayama: respiração profunda abdominal. Mantra: cantar LAM com a atenção na base da coluna. Caminhar descalço na terra (earthing), trabalhar com as mãos no barro ou no jardim, comer alimentos enraizados (cenoura, beterraba, batata-doce).
Cristais de afinidade: jaspe vermelho, hematite, obsidiana, granada, turmalina negra. Aromas: cedro, vetiver, patchouli. Na numerologia, o 1 e o 4 ressoam com o Muladhara (início, estrutura material). Na astrologia, Saturno (estrutura), Marte (vitalidade) e o signo de Touro (corpo, segurança) têm afinidade com este centro. No tarô, O Imperador e o naipe de Discos/Pentáculos remetem para temas do chakra raiz. Mais no Glossário.
Profundidade simbólica
Simbolicamente, o Muladhara é a raiz da árvore que somos. Sem raízes, a árvore tomba ao primeiro vento. A imagem vegetal é tão antiga como exata: tudo o que cresce em altura deve descer proporcionalmente em profundidade. O trabalho espiritual moderno é frequentemente acusado de querer voar sem ter pés — espiritualidade fast-food, expansão consciente sem ancoragem corporal. O Muladhara recorda-nos que o céu se conquista pela terra, não contra ela. A serpente kundalini só pode subir porque tem onde se apoiar.
Encontra-se correspondência simbólica com a Sephira Malkhut (Reino) na Cabala, a base da Árvore da Vida e o ponto onde a divindade toca o mundo manifestado. No tarô, Malkhut está associada ao Mundo e aos pajens. Na alquimia, o Muladhara corresponde à nigredo, o trabalho na matéria-prima negra. C. G. Jung falaria do encontro com o corpo e com a sombra como condição prévia para qualquer ascensão espiritual autêntica. Em sociedades dissociadas do corpo e da terra, ativar o Muladhara é também um ato político: regressar à materialidade, ao território, à fisicalidade da existência. Ver também segunda casa.
Também conhecido como
- Muladhara
- chakra base
- centro raiz
- lótus de quatro pétalas
- chakra da segurança