Esoterismo

Chakra Sacral (Svadhisthana)

O Chakra Sacral ou Svadhisthana (sânscrito स्वाधिष्ठान, «morada própria» ou «sede do eu») é o segundo dos sete chakras principais, situado no baixo-ventre, cerca de quatro dedos abaixo do umbigo, na zona do sacro. Está associado à cor laranja, ao elemento água, ao sentido do paladar e ao mantra-semente VAM. É o centro da sexualidade, da sensualidade, da emoção, da criatividade e do prazer — tudo aquilo que flui, que se move, que muda de forma como a água.

Origem

O Svadhisthana é descrito no Ṣaṭ-Cakra-Nirūpaṇa e em outros textos tântricos como um lótus de seis pétalas de cor vermelho-alaranjada (na tradição original; o laranja puro é uma simplificação ocidental). No seu interior, encontra-se um yantra em forma de crescente lunar prateado, símbolo da água. As pétalas levam inscritas as sílabas baṁ, bhaṁ, maṁ, yaṁ, raṁ, laṁ. A divindade tutelar é Vishnu, com a sua śakti Rakini. O elemento água conecta este chakra ao princípio do feminino, do fluído, do receptivo.

A literatura ocidental sobre o Svadhisthana ganha forma com a tradução de Avalon (1919), passa pela Teosofia e popularizou-se a partir dos anos 1970 com o movimento de libertação sexual e o redescobrir do corpo. Autoras como Anodea Judith desenvolveram a leitura psicológica deste chakra como sede das emoções e da criatividade. A relação entre sexualidade e espiritualidade, central no tantra clássico, foi muitas vezes mal compreendida no Ocidente — reduzida a técnicas sexuais ou amputada da sua dimensão sagrada.

Funções e desequilíbrios

O Svadhisthana governa os órgãos reprodutores, os rins, a bexiga, o sistema linfático, os fluidos corporais. No plano psíquico, está ligado às emoções, ao desejo, ao prazer, à capacidade de fluir, à intimidade, à criatividade artística e à imaginação. É o chakra das relações — em particular das relações próximas e íntimas. As experiências dos primeiros 7-14 anos de vida (descoberta do corpo, dos limites, das emoções, da diferença com os outros) gravam-se neste centro. Em culturas que reprimem o corpo e o prazer, o Svadhisthana costuma sofrer.

Um Svadhisthana hipoativo manifesta-se como anestesia emocional, falta de libido, dificuldade em sentir prazer, rigidez física, falta de criatividade, sensação de viver «sem cor». Hiperativo, leva à instabilidade emocional, dependência afetiva, vícios (incluindo sexual), drama crónico, ondas emocionais avassaladoras. O equilíbrio traduz-se em fluidez: capacidade de sentir sem ser arrastado, de gozar sem se perder, de criar com prazer, de relacionar-se com autenticidade. O Svadhisthana saudável é a fonte da alegria de viver (joie de vivre).

Na prática

Posturas de yoga que ativam o Svadhisthana: baddha konasana (postura do sapateiro), upavistha konasana, todas as posturas que abrem as ancas, setu bandhasana (ponte), kapotasana (pomba). Os movimentos circulares das ancas (dança do ventre, círculos lentos) são especialmente eficazes. Pranayama: respiração ondulatória, com o foco no baixo-ventre. Mantra: VAM. Visualização: lua crescente prateada em água laranja. Banhos quentes, natação, contacto com a água em qualquer forma alimentam este chakra.

Cristais: cornalina, calcite laranja, pedra-da-lua, opala. Aromas: ilangue-ilangue, jasmim, sândalo, néroli. Na numerologia, o 2 (dualidade, relação) e o 6 (amor, harmonia) ressoam com este centro. Na astrologia, a Lua, Vénus e o signo de Caranguejo têm afinidade direta. No tarô, A Sacerdotisa, A Imperatriz e o naipe de Copas remetem para temas do Svadhisthana. Ver mais no Glossário.

Profundidade simbólica

Simbolicamente, o Svadhisthana é a água da vida — o princípio criativo que jorra do interior. A imagem da lua crescente sobre as águas remete para a fertilidade, para a mudança cíclica, para o feminino arquetípico. Não por acaso muitos rituais de fertilidade e de criação artística envolvem água. Diz-se que o Svadhisthana é a «morada própria» porque é aqui que a alma se sente em casa no corpo — quando este chakra está aberto, habitamos com prazer a nossa carne. Quando bloqueado, o corpo torna-se uma prisão. Recuperar o Svadhisthana é, em culturas puritanas, um ato de cura colectiva.

Encontra-se paralelo na Sephira Yesod (Fundamento) da Cabala, associada à Lua, à sexualidade, ao inconsciente e à imaginação fértil. Yesod é a câmara de gestação de tudo o que vai descer até Malkhut (o mundo manifestado). Na alquimia, este chakra corresponde à albedo, a fase branca-prateada do trabalho, onde o caos do nigredo se purifica em águas claras. Em C. G. Jung, o Svadhisthana é o reino da anima: o feminino interior, fonte de emoção, sonho e criação. O artista, o místico e o amante bebem todos desta mesma fonte. Ver também quarta casa.

Também conhecido como

  • Svadhisthana
  • chakra umbilical
  • centro emocional
  • lótus de seis pétalas
  • chakra da criatividade

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