Esoterismo

Meditação

A Meditação é uma prática mental consciente que cultiva a atenção, a presença e o conhecimento direto da mente, com vista a transformações duradouras da experiência subjetiva. Atravessa todas as grandes tradições espirituais — Vipassana e Samatha budistas, Zen, Dhyana yogica, oração hesicasta cristã, dhikr sufi — e foi recentemente adotada pela psicologia ocidental sob a forma laica de mindfulness. Embora as técnicas variem, as meditações partilham uma estrutura comum: tornar a mente objeto de si mesma, observando o seu funcionamento até este se transformar.

Origem

A meditação documentada mais antiga aparece nos Upanishads indianos (a partir de 800 a.C.) e nos primeiros textos budistas (séc. V a.C.). Os Yoga Sutras de Patañjali (séc. II a.C.) descrevem o caminho dos oito ramos: ética, postura, respiração, retirada dos sentidos, concentração (dhāraṇā), meditação (dhyāna) e absorção (samādhi). O Buda histórico (Siddhārtha Gautama, séc. V a.C.) ensinou duas grandes famílias de prática: samatha (tranquilidade, focagem unidirecional) e vipassanā (visão profunda, observação analítica da experiência).

No mundo cristão, a tradição contemplativa floresceu com os Padres do Deserto (séc. III-IV) e com o hesicasmo bizantino: a «oração de Jesus» repetida com a respiração é uma forma de meditação. No mundo islâmico, os sufis desenvolveram o dhikr (recordação de Deus) com rotação, dança, canto. A meditação chegou ao Ocidente moderno em ondas: Vivekananda em 1893 (Parlamento das Religiões em Chicago), o Zen com D. T. Suzuki nos anos 1950, a Meditação Transcendental nos anos 1960, o mindfulness com Jon Kabat-Zinn em 1979 (programa MBSR).

Tipos de meditação

As principais famílias são: concentração (samatha, focar a mente num objeto único — respiração, mantra, chama de vela), insight (vipassana, observar o fluxo da experiência sem se apegar nem rejeitar), visualização (deidades tibetanas, luz, paisagens interiores), contemplação (oração contemplativa, repetição de fórmulas sagradas), mindfulness (atenção sem julgamento ao momento presente), meditação em movimento (Tai Chi, Qigong, marcha meditativa, dança sufi), meditação aberta (Zen shikantaza, Dzogchen, «apenas sentar»).

Estudos científicos a partir dos anos 1970 mostraram efeitos mensuráveis: redução do cortisol e da pressão arterial, aumento da densidade da matéria cinzenta no córtex pré-frontal e na ínsula, alterações de ondas cerebrais (mais alfa e teta nos meditadores experientes, gama nos monges em meditação compassiva), melhoria da regulação emocional e da atenção. O programa MBSR de Jon Kabat-Zinn (Mindfulness-Based Stress Reduction) tornou-se padrão hospitalar para dor crónica, depressão recorrente e ansiedade. A meditação saiu do mosteiro e entrou na clínica, mantendo a sua raiz contemplativa.

Na prática

Para começar, escolhe uma técnica simples. Anapana: senta-te confortavelmente, costas direitas, observa a respiração na entrada e saída pelo nariz, sem a controlar. Quando a mente se dispersa (vai dispersar-se), regressa suavemente à respiração. Dez minutos diários durante três semanas e começarás a notar diferenças. Mindfulness: presta atenção plena a uma atividade do quotidiano (tomar duche, lavar a louça, caminhar), sentindo cada gesto. Mantra: repete interiormente uma sílaba (OM, So-Ham) coordenada com a respiração.

Três conselhos clássicos. Primeiro, regularidade: vale mais dez minutos por dia do que duas horas ao fim-de-semana. Segundo, não-esforço: a meditação não é uma performance; quando notares que tentas «meditar bem», relaxa essa tensão. Terceiro, postura: cuida do corpo (alinhamento da coluna, queixo recolhido, ombros descontraídos); a mente segue o corpo. Ver também Mantra, Yantra, Mandala e Prana. Mais no Glossário.

Profundidade simbólica

Meditar é, simbolicamente, regressar ao centro. O ruído mental quotidiano é uma circunferência onde nos perdemos; meditar é caminhar para o ponto central, onde a circunferência tem origem e onde o movimento cessa. Esta imagem do centro encontra-se em todas as tradições: o bindu do yantra, o coração do mandala, o ponto central do labirinto medieval, o hṛdaya (caverna do coração) dos Upanishads, o Hara japonês, o ponto entre as sobrancelhas do terceiro olho.

No tarô, o Eremita — com a lanterna que ilumina o caminho interior — é a figura arquetípica do meditador. A Sacerdotisa, sentada entre as duas colunas, é também imagem da introspeção. Na astrologia, Saturno — planeta do silêncio, do limite, da concentração — rege as práticas contemplativas longas. Na numerologia, o 7 é número da interioridade, do recolhimento e da sabedoria meditativa. Meditar é, em última análise, redescobrir um silêncio que estava sempre presente, escondido pelo ruído.

Também conhecido como

  • contemplação
  • dhyāna
  • mindfulness
  • recolhimento
  • atenção plena

← Voltar ao Glossário