Quiromancia
A Quiromancia (do grego cheir, mão, e manteia, adivinhação) é a arte adivinhatória que interpreta o carácter, a saúde e o destino de uma pessoa pela leitura das linhas, montes, dedos, formas e marcas das suas mãos. Distingue-se da quirologia (análise psicológica) e da quirognomia (estudo da forma da mão) por incluir a dimensão preditiva. As três linhas maiores — vida (que contorna o monte de Vénus, polegar), coração (transversal superior) e cabeça (transversal central) — formam o núcleo de qualquer leitura quirológica clássica.
Origem
A quiromancia tem raízes muito antigas: pratica-se na Índia védica há mais de três milénios (textos sânscritos como o Hasta Samudrika), na China antiga (palmistria taoísta) e no Egipto e Babilónia. O médico romano Galeno e o astrónomo helenístico Ptolemeu mencionam-na. Aristóteles, segundo a tradição, ofereceu a Alexandre Magno um tratado de quiromancia encontrado num altar de Hermes. O primeiro tratado conservado em latim é o Liber Physiognomiae atribuído a Michael Scotus (séc. XIII), astrólogo de Frederico II.
O Renascimento codificou a disciplina: Bartolomeo della Rocca, Cocles (1467-1504), publicou o Chyromantiae ac Physionomiae Anastasis (1504); Jean Belot em França, no séc. XVII, sintetizou-a com astrologia e cabala. A grande renovação moderna deve-se a Casimir d'Arpentigny (séc. XIX), que classificou as mãos por sete tipos, e ao capitão D'Arpentigny e a Adolphe Desbarrolles, autor do influente Mystères de la main (1859). No séc. XX, William Benham publicou The Laws of Scientific Hand-Reading (1900) e Cheiro (Louis Hamon) popularizou a leitura entre celebridades.
Linhas, montes e tipos de mão
As três linhas maiores: a linha da vida contorna o monte de Vénus e indica vitalidade, ritmo da existência, mudanças de fase (não a duração literal da vida, contrariamente ao mito popular); a linha do coração, no topo da palma, indica sensibilidade afectiva, vida amorosa, qualidade emocional; a linha da cabeça, no meio, indica estilo de pensamento, inteligência, decisões. As linhas menores: destino (vertical, carreira), Sol ou Apolo (criatividade, sucesso), Mercúrio (comunicação, saúde), cinturão de Vénus (sensualidade), linhas de viagem, linhas de afecto sob o mindinho.
Os sete montes da palma — Vénus (base do polegar), Júpiter (sob o indicador), Saturno (sob o médio), Apolo (sob o anelar), Mercúrio (sob o mindinho), Lua (lateral exterior), Marte (entre Júpiter e Mercúrio) — correspondem aos planetas clássicos da astrologia. Por fim, a quirognomia classifica as mãos: elementar (terra), quadrada (prática), espatulada (activa), filosófica (reflexiva), cónica (artística), psíquica (sensível), mista. A leitura combina forma global, mapa dos montes, traçado e cruzamento das linhas, marcas particulares (cruzes, estrelas, ilhas, quadrados, grades).
Na prática
Para começar: examina ambas as mãos (a mão passiva, geralmente a esquerda nos destros, mostra potencial herdado; a activa, o que se está a fazer dele). Observa primeiro a forma global, depois os dedos (proporções entre dedos, falanges, polegar), depois os montes, depois as linhas. Não procures «adivinhar a duração de vida» — é mito moderno: a linha da vida diz da qualidade vital, não da quantidade. Foca-te no que a mão revela do presente e da tendência.
Pratica em ti, em familiares, em amigos que dão consentimento. Tira fotografias das palmas (luz lateral, alta resolução) e regista observações ao longo dos anos: as linhas mudam ligeiramente com a idade, a saúde e os acontecimentos. Vê Divinação, Adivinhação, /tarot, e o glossário. Hub: /mantik.
Profundidade simbólica
A mão é o orgão mais específico do humano: instrumento e símbolo da sua acção sobre o mundo. Ler a mão é, simbolicamente, ler a inscrição do destino sobre o livre arbítrio: as linhas estão na pele desde o útero (formam-se entre a 8.ª e a 12.ª semana de gestação), mas mudam com o tempo e o uso. A mão é, neste sentido, palimpsesto biopsicológico — registo do que somos e do que fazemos.
A correspondência dos sete montes com os sete planetas tradicionais inscreve a quiromancia na rede astrológica geral, com base no princípio hermético «como em cima, assim em baixo». Cada mão é micro-universo, espelho do macrocosmo. Esta visão analógica, presente em todas as tradições esotéricas (Hermetismo, Alquimia, Cabala), justifica a fé na leitura simbólica do corpo. Vê Divinação.
Também conhecido como
- Palmistria
- Quirologia
- Leitura da mão
- Quirosofia
- Quirognomia