Mitologia

Ártemis

Ártemis é a deusa grega da caça, da natureza selvagem, da lua, do parto e da virgindade. Filha de Zeus e de Leto, irmã gémea de Apolo, encarna a autonomia feminina e a fronteira entre cultura e selva. No Tarô corresponde à Lua, e o seu equivalente romano é Diana, célebre nos santuários de Nemi e Éfeso.

Mito e origem

O Hino Homérico a Ártemis e a Teogonia de Hesíodo (c. 700 a.C.) narram que Ártemis nasceu primeiro do que Apolo, na ilha de Delos, e ajudou logo a mãe Leto a dar à luz o irmão. Por esse motivo tornou-se também deusa do parto e das parturientes, paradoxalmente unindo virgindade e cuidado obstétrico. Aos três anos, sentada nos joelhos do pai Zeus, pediu-lhe seis dons: virgindade eterna, várias designações, um arco como o do irmão, sessenta jovens ninfas como companheiras, vinte ninfas pelos rios e todas as montanhas como reino.

O seu santuário mais célebre foi o templo de Ártemis em Éfeso, construído por volta de 550 a.C. e considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Aí venerava-se uma forma sincrética de Ártemis com a deusa-mãe anatólica Cibele, representada com múltiplos seios ou ovos pendentes. Pausânias descreve outros centros importantes em Brauron, na Ática, onde meninas pré-púberes participavam no ritual arkteia vestindo-se de ursinhas.

Atributos e histórias

Os seus atributos são o arco e flechas de prata, a lua crescente, a corça, o urso e o cipreste. Acompanhada de um cortejo de ninfas e cães, percorre montes e florestas. Apolodoro relata o mito de Actéon, o caçador que a surpreendeu nua a banhar-se: transformou-o em veado e foi devorado pelos próprios cães, sinal da inviolabilidade da deusa. O mito de Calisto, ninfa engravidada por Zeus e por isso expulsa do cortejo, ilustra o rigor da castidade exigida.

Ártemis interveio também nas guerras: enviou a peste contra os gregos no início da Ilíada e exigiu o sacrifício de Ifigénia em Áulis, antes da partida para Troia, conforme Eurípides dramatiza em Ifigénia em Áulis (c. 406 a.C.). Tardiamente foi identificada com Selene, a lua propriamente dita, e com Hécate, formando uma tríade lunar. A sua dimensão ctónica liga-a também à protetora de animais selvagens, Potnia Theron, atestada na arte arcaica.

Receção moderna

Bolen, em Goddesses in Everywoman, descreveu o arquétipo Ártemis como a mulher independente, focada em metas, frequentemente ligada ao desporto, ao ativismo ambiental ou às causas femininas. O movimento ecofeminista, com Vandana Shiva e Carol Christ, recuperou-a como emblema da relação respeitosa com o mundo natural. O asteroide 105 Artemis, descoberto em 1868, é usado em astrologia esotérica para identificar autonomia e foco vocacional.

Na literatura moderna aparece em Rick Riordan, Madeline Miller (Circe) e Margaret Atwood. A NASA chamou 'Artemis' ao programa espacial de regresso à Lua iniciado em 2017, sucessor cromático do Apolo. Quem no teste Descobre a tua deidade mitológica obtém Ártemis tende à independência feroz, ao amor pela natureza e à defesa dos vulneráveis, mantendo distância emocional protetora.

Profundidade simbólica

No Tarô, Ártemis corresponde a A Lua (Arcano XVIII), pelos ciclos noturnos, instinto e mistério, e também à Sacerdotisa, pela virgindade sagrada e intuição. Astrologicamente liga-se à Lua natal e ao signo de Caranguejo, mas também a Sagitário pelo arco. Na cabala ressoa com Yesod, a esfera lunar das imagens e dos sonhos.

Simbolicamente, Ártemis encarna a liminaridade: a fronteira entre cultura e selva, infância e maternidade, vida e morte. As suas flechas matam com precisão piedosa quem morre subitamente. Vê o hub do glossário para outras deidades lunares e a sua articulação com a Árvore da Vida.

Também conhecido como

  • Diana
  • Cíntia
  • Febe
  • Potnia Theron
  • Selene-Ártemis

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