Atena
Atena é a deusa grega da sabedoria, da estratégia bélica, do artesanato e da política. Filha predileta de Zeus, nascida já adulta e armada da cabeça do pai, encarna a inteligência aplicada, a justiça civil e a virgindade sagrada. No Tarô corresponde à Justiça, e o seu equivalente romano é Minerva, protetora das artes e das ciências.
Mito e origem
Hesíodo conta na Teogonia (c. 700 a.C.) que Zeus engoliu a sua primeira esposa, a titanide Métis ('sabedoria astuta'), grávida, por temer uma profecia segundo a qual ela geraria um filho mais poderoso do que ele. Tempos depois, Zeus sofreu uma dor de cabeça insuportável e pediu a Hefesto que lhe abrisse o crânio com um machado. Da fenda saltou Atena já adulta, armada com elmo, escudo e lança, soltando um grito de guerra que abalou o Olimpo.
Outra tradição, transmitida por Apolodoro na Biblioteca, vincula-a a Atenas pelo célebre concurso com Poseidon: ambos disputaram o patronato da cidade, e Poseidon ofereceu uma fonte de água salgada, enquanto Atena plantou a oliveira na Acrópole. Os habitantes escolheram o presente da deusa, que ali recebeu o seu maior santuário, o Partenon, construído sob Péricles entre 447 e 432 a.C., com a estátua criselefantina de Fídias.
Atributos e histórias
Os seus atributos são o elmo, a lança, a égide (peitoral com a cabeça da Górgona Medusa), a coruja e a oliveira. Homero chama-lhe 'Palas Atena' e 'a de olhos de coruja'. Na Ilíada guia Aquiles e Diomedes; na Odisseia protege Ulisses ao longo do regresso. Diferentemente de Ares, deus da fúria bélica desordenada, Atena representa a guerra como estratégia racional, com objetivos políticos.
É a inventora do arado, da flauta, da tecelagem e do navio. O mito de Aracne, narrado por Ovídio nas Metamorfoses, conta como castigou a tecelã mortal que ousou rivalizar com ela, transformando-a em aranha. Apoiou Perseu na decapitação de Medusa, cuja cabeça depois fixou na própria égide. A sua virgindade não é renúncia mas escolha de soberania independente: nunca se casa nem se submete a deus algum.
Receção moderna
Jung descreveu Atena como o arquétipo da 'filha do pai', mulher que se identifica com valores logocêntricos e estruturas patriarcais sem deixar de afirmar autonomia. Bolen, em Goddesses in Everywoman, viu nela a estratega das empresas e da política. O asteroide 881 Athene, descoberto em 1917, é usado em astrologia esotérica para identificar competência profissional e inteligência prática.
Atena inspira instituições e cidades: a Academia de Atenas, a Biblioteca Britânica e numerosos brasões universitários ostentam a coruja como sua emblema. Na literatura aparece em Homero, em Os Cavaleiros do Zodíaco, em Madeline Miller e em videojogos como Hades de Supergiant. Quem no teste Descobre a tua deidade mitológica obtém Atena tende ao pensamento estratégico, ao autocontrolo e à defesa da civilização.
Profundidade simbólica
No Tarô, Atena corresponde sobretudo à Justiça (Arcano XI ou VIII), pela balança da equidade e a espada do discernimento, e em parte à Sacerdotisa, pela sabedoria oculta. Astrologicamente liga-se a Mercúrio em Virgem (intelecto preciso) e a Saturno como mestre da estrutura. Na cabala ressoa com Chokmah, a sabedoria suprema masculina paradoxalmente mediada pela filha.
Simbolicamente, Atena encarna o logos guerreiro: a razão como força ativa que transforma a violência em ordem cívica. A oliveira simboliza paz fundada em vigilância, e a égide representa a sombra integrada, pois carrega Medusa não como vítima mas como aviso. Consulta o hub do glossário para outras deidades estratégicas e o seu lugar na Árvore da Vida.
Também conhecido como
- Minerva
- Palas
- Palas Atena
- Pártenos
- Tritogénia