Aura
A Aura (do grego aúra, «brisa», «sopro») é, na tradição esotérica, o campo de energia subtil que envolve todos os seres vivos — uma espécie de «atmosfera bioenergética» pessoal. Invisível para a maioria, é descrita pelos clarividentes como um halo luminoso de várias cores e camadas, que reflete o estado físico, emocional, mental e espiritual da pessoa. Está intimamente ligada aos chakras, que se considera serem os pontos por onde a energia entra e sai da aura. É a contrapartida sutil do corpo físico.
Origem
A intuição da aura é universal e antiquíssima. As auréolas dos santos cristãos, os nimbos dos budas e bodhisattvas, os raios em torno de Apolo ou de Mitras, o brilho de Moisés ao descer do Sinai — todas estas representações apontam para a perceção de um campo luminoso em torno de seres espiritualmente elevados. Os textos védicos falam de prāṇamaya-kośa (corpo de energia vital), uma das cinco bainhas (kośas) que envolvem a alma. A medicina chinesa fala de qi, a polinésia de mana, os hebreus de ruach.
O conceito moderno de aura como campo energético colorido foi sistematizado pela Teosofia a partir de 1875. Charles W. Leadbeater, em O Homem Visível e Invisível (1902), publica os primeiros «mapas» coloridos das auras humanas. Rudolf Steiner, na Antroposofia, desenvolve a noção de «corpo etérico» e «corpo astral». No século XX, a fotografia Kirlian (Semyon Kirlian, 1939) gerou interesse científico ao revelar coronas luminosas em torno de seres vivos — embora a sua interpretação como prova da aura permaneça contestada.
Camadas e cores
A aura humana é descrita, em geral, como composta por sete camadas sobrepostas, cada uma correspondendo a um nível de existência: corpo etérico (vitalidade física, mais próximo do corpo), corpo emocional, corpo mental, corpo astral, corpo etérico superior, corpo celestial e corpo causal (ligado ao karma e à alma). Estas camadas estendem-se de poucos centímetros a vários metros do corpo, dependendo do desenvolvimento espiritual da pessoa.
As cores da aura têm leituras tradicionais: vermelho indica vitalidade, paixão ou raiva; laranja sinaliza criatividade e sexualidade; amarelo aponta intelecto e alegria; verde mostra cura e equilíbrio; azul sugere comunicação e calma; índigo/violeta indica intuição e espiritualidade; branco/dourado revela elevação espiritual. Tons turvos ou escuros são lidos como sinais de bloqueio, doença ou negatividade. A aura muda constantemente — em pessoas saudáveis é brilhante, ampla e harmoniosa.
Na prática
A prática clássica inclui ver a aura (por treino do olhar periférico, olhando suavemente para um lado da cabeça da pessoa), sentir a aura (passando as mãos a alguns centímetros do corpo), e limpar a aura (através de visualização, banhos de sal, fumigações de sálvia, sons como sinos tibetanos ou diapasão). Trabalhar a aura é uma prática central no reiki, na cura prânica de Choa Kok Sui, no healing touch e em muitas terapias energéticas modernas. A meditação regular e a contemplação na natureza fortalecem a aura.
No tarô, cartas como O Sol e A Estrela mostram seres com auras radiantes, simbolizando estados elevados de energia. Na astrologia, o Sol no mapa indica a qualidade essencial da própria aura; Vénus colore a sua tonalidade emocional. A casa I (ascendente) é a fronteira entre o eu e o mundo — corresponde à fronteira aurica. Na numerologia, o número de vida reflete a vibração dominante. Ver também Akasha e mais no Glossário.
Profundidade simbólica
Simbolicamente, a aura é a presença visível daquilo que somos por baixo das aparências. Sentimos, mesmo sem saber, a aura dos outros: há pessoas cuja proximidade nos energiza e outras que nos esgotam; há lugares cuja atmosfera nos calma e outros que nos perturbam. A linguagem comum reconhece-o: dizemos que alguém «tem uma aura especial», que «irradia» bondade ou tristeza. A aura é a linguagem silenciosa do ser, mais verdadeira do que as palavras. Sintonizar-se com ela é uma das competências básicas da inteligência intuitiva.
O conceito encontra ressonâncias múltiplas. Na Cabala, fala-se das vestes de luz da alma (levushim) e da nefesh, o corpo de luz inferior. Em C. G. Jung, a aura aproxima-se da noção de persona ampliada, ou da energia psíquica que cada complexo irradia. Wilhelm Reich (1897-1957), discípulo crítico de Freud, propôs a existência de uma «energia orgónica» mensurável que envolveria todos os seres — uma versão materialista da aura. Para o pensamento mágico tradicional, a aura é o que torna possíveis o magnetismo pessoal, o «mau-olhado» e a benção. Ver também Chakra.
Também conhecido como
- campo bioenergético
- corpo de luz
- halo
- nimbo
- corpo subtil