Chakra Coroa (Sahasrara)
O Chakra Coroa ou Sahasrara (sânscrito सहस्रार, «de mil raios», «de mil pétalas») é o sétimo e mais elevado dos chakras principais, situado no topo da cabeça, na fontanela. Está associado às cores violeta, branco e dourado, transcende todos os elementos e sentidos, e tem como mantra-semente o silêncio ou o som puro de OM. É o centro da consciência cósmica, da ligação ao divino, da iluminação e da identidade última com o Absoluto. É o ponto onde o ser humano deixa de ser indivíduo separado e se descobre como manifestação do Todo.
Origem
O Sahasrara é descrito nos textos tântricos clássicos (Ṣaṭ-Cakra-Nirūpaṇa, séc. XVI) como um lótus de mil pétalas multicoloridas — em algumas tradições, especificamente brancas ou douradas — que se abre para fora do topo da cabeça, voltado para cima. No seu centro encontra-se um yantra com a sílaba OM, ou em algumas descrições uma lua crescente sobre um triângulo invertido. A divindade tutelar é a forma suprema de Shiva no seu aspeto incondicionado — sem forma, sem nome, identificada ao próprio Brahman. É aqui que a serpente kundalini, depois de ter subido por todos os chakras, se une definitivamente a Shiva no êxtase da iluminação.
No Ocidente, o Sahasrara foi descrito pela Teosofia e popularizou-se com o movimento New Age, em parte por influência de mestres como Yogananda (Autobiografia de um Yogi, 1946), Ramana Maharshi, e do Kundalini-Yoga trazido a Ocidente por Yogi Bhajan (1969). A imagem do «coroamento» da pessoa iluminada — o nimbo dos santos, a tonsura dos monges, a coroa real, o capuz pontiagudo dos magos — pode ser lida como reflexo intuitivo, em diferentes culturas, deste chakra. A pessoa realizada é, literalmente, «coroada» pela consciência.
Funções e desequilíbrios
O Sahasrara governa o córtex cerebral superior, a glândula pineal (segundo alguns autores; outros associam-na ao Ajna), o sistema nervoso central no seu nível mais alto, a parte superior do crânio. No plano psíquico — e cada vez mais espiritual — está ligado à consciência transpessoal, à experiência do sagrado, ao sentido último da vida, à sabedoria universal, à paz profunda, ao desapego sem indiferença, à comunhão com o que é maior do que o eu individual. É o chakra que torna possível a vida espiritual no sentido pleno do termo.
Um Sahasrara hipoativo ou fechado manifesta-se como sentimento de vazio existencial, ausência de sentido, depressão espiritual, materialismo absoluto, cinismo, dificuldade em conectar-se com algo maior do que si próprio. Hiperativo ou desequilibrado em relação aos chakras inferiores, expressa-se como dissociação espiritual, fuga do corpo e do mundo, fanatismo, inflação do ego espiritual (achar-se «iluminado»), perda do enraizamento. O equilíbrio traduz-se em presença iluminada: profunda conexão com o sagrado, mantendo simultaneamente os pés bem firmes na terra. O céu sem a terra é um delírio; a terra sem o céu é um peso.
Na prática
Posturas de yoga que ativam o Sahasrara: shirshasana (postura sobre a cabeça, com prudência), shavasana profunda (relaxamento total), padmasana (lótus) com atenção no topo da cabeça. Mas o trabalho com este chakra é sobretudo meditativo e contemplativo: meditação silenciosa prolongada, oração contemplativa, recitação interior do nome divino (japa), prática do silêncio. Os mestres clássicos recomendam paciência: o Sahasrara não se «força»; abre-se quando os outros chakras estão equilibrados e maduros.
Cristais: ametista clara, quartzo cristalino, selenite, charoite, sugilite. Aromas: olíbano, lótus, nardo. Na numerologia, o 9 (conclusão), o número mestre 11 (intuição), 22 (mestre construtor) e 33 (mestre professor) ressoam com Sahasrara. Na astrologia, Júpiter (sabedoria), Neptuno (transcendência) e Urano (despertar súbito) têm afinidade, assim como os signos de Sagitário, Aquário e Peixes. No tarô, O Mundo, A Estrela e O Louco (no seu sentido superior de inocência iluminada) expressam temas deste chakra. Mais no Glossário.
Profundidade simbólica
Simbolicamente, o Sahasrara é a coroa — não no sentido do poder político, mas no sentido cósmico: o ponto onde a pessoa se reconhece como filha do céu. As mil pétalas representam a infinita variedade de modos como o Absoluto pode ser experimentado. O lótus voltado para cima recebe a luz que desce do alto, ao contrário dos outros chakras que se abrem para os lados. É o brahmarandhra, o «orifício de Brahma» — diz a tradição que, no momento da morte do iluminado, a consciência sai por aqui. A flor de mil pétalas é a coroa de luz dos santos e dos budas, o uṣṇīṣa, a protuberância craniana que indica realização.
Encontra-se paralelo na Sephira Keter (Coroa) da Cabala, primeira emanação do Ein Sof infinito, ponto mais elevado da Árvore da Vida — equivalente exato do Sahasrara. Em C. G. Jung, este chakra corresponde à plena realização do Self, ao ponto omega da individuação, à integração total da consciência. Na alquimia, é a pedra filosofal finalmente obtida, o ouro espiritual. Místicos cristãos como Mestre Eckhart falariam aqui da «cintilação da alma» (scintilla animae) onde Deus e a alma são uma só coisa. O Sahasrara é, em última análise, a resposta a todas as buscas humanas — não como conclusão, mas como reconhecimento de que sempre estivemos no destino. Ver também décima segunda casa e Moksha.
Também conhecido como
- Sahasrara
- chakra do topo
- centro coroa
- lótus de mil pétalas
- chakra da iluminação