Esoterismo

Prana

O Prana (sânscrito प्राण, «sopro», «energia vital») é, na tradição indiana, a energia subtil que anima todos os seres vivos. Não é apenas o ar que respiramos, mas o princípio invisível que torna esse ar respirável: a força que circula entre células, órgãos e chakras através de uma rede de canais (nāḍīs). O prana corresponde, ponto por ponto, ao Qi chinês e ao Pneuma grego — três nomes para a mesma intuição: viver é estar atravessado por um sopro que excede o corpo. Quando o prana flui livremente há saúde; quando se estagna ou desequilibra, há doença.

Origem

O termo é védico e aparece com força nos Upanishads, em particular no Praśna Upaniṣad (c. 600 a.C.), que dedica um capítulo inteiro à natureza do prana. Aí, o prana é apresentado como o princípio mais elevado, sem o qual sentidos e mente não funcionam. O Chāndogya Upaniṣad conta a parábola dos indriyas (faculdades), em que cada uma se retira para ver quem é a mais importante: só com a partida do prana o corpo se desmorona. O prana é também identificado com Brahman em alguns passos, como o sopro do Absoluto.

Os Yoga Sutras de Patañjali (c. séc. II a.C.) consagram o prāṇāyāma como o quarto dos oito ramos do yoga. Os Tantras e o Haṭha Yoga Pradīpikā (séc. XV) desenvolvem a anatomia subtil dos canais e dos cinco vāyus (correntes do prana). O ayurveda — medicina tradicional indiana — funda o seu diagnóstico no equilíbrio do prana através dos três doṣas. No Ocidente, o prana é divulgado pela Teosofia, depois por Vivekananda em Raja Yoga (1896), tornando-se conceito-chave da espiritualidade contemporânea.

Os cinco sopros

A tradição distingue cinco vāyus (literalmente «ventos»), cada um com função e direção próprias: prāṇa-vāyu (no peito, energia ascendente, governa respiração e ingestão); apāna-vāyu (baixo-ventre, energia descendente, governa eliminação e parto); samāna-vāyu (zona umbilical, energia centrípeta, governa digestão e assimilação); udāna-vāyu (garganta e cabeça, energia ascendente, governa fala e despertar espiritual); vyāna-vāyu (corpo inteiro, energia circulatória, governa coordenação e ação).

Os canais (nāḍīs) seriam 72 000 segundo os textos, três deles principais: iḍā, piṅgalā e suṣumnā. O ponto onde se cruzam canais e vāyus forma um chakra. A doença, lida em chave pránica, é sempre um desequilíbrio: prana excessivo, deficiente, estagnado, ou em direção contrária. O ayurveda, o yoga terapêutico e o reiki (ainda que de origem japonesa) trabalham todos sobre o prana. O prana entra pelo ar mas também pela água, pelo sol, pela alimentação sāttvica, pelas emoções elevadas e pelo contacto com a natureza.

Na prática

O prāṇāyāma reúne as técnicas para regular e expandir o prana. Os métodos clássicos incluem: nāḍī-śodhana (respiração alternada pelas narinas, equilibra iḍā e piṅgalā); kapalabhati (limpeza do crânio, expirações rápidas e potentes); bhastrika (respiração de fole, energizante); ujjayi (respiração vitoriosa, com leve constrição na garganta); śītalī (respiração refrescante, pela língua enrolada); retenções (kumbhaka) e os três fechos (bandhas). Estes exercícios devem ser praticados com gradualismo e, idealmente, com orientação.

Para começar, podes praticar diariamente cinco a dez minutos de nāḍī-śodhana: inspira por uma narina, retém suavemente, expira pela outra, inspira por essa, retém, expira pela primeira. Ao final de algumas semanas notarás maior clareza mental e equilíbrio emocional. O trabalho consciente com a respiração é a porta mais acessível ao mundo das energias subtis. Ver também Qi, Corpo Etérico e Kundalini. Mais no Glossário.

Profundidade simbólica

O prana é a versão indiana de uma intuição universal: a vida não é apenas matéria. Nos textos hebraicos, ruaḥ é o sopro de Deus que anima Adão a partir do barro; em grego, pneuma é simultaneamente respiração, espírito e vento; em latim, spiritus e anima dizem o mesmo. Esta convergência semântica em culturas que não se conheciam sugere uma experiência partilhada, talvez uma constante antropológica: ao observar um corpo morto e um corpo vivo, o que faltou foi o sopro. Esta perceção arcaica é a raiz comum de toda a metafísica das energias subtis.

No tarô, o Mago — que une céu e terra com o gesto ritual — manipula o prana cósmico. Na astrologia, o elemento ar (Gémeos, Balança, Aquário) é o domínio pránico por excelência. Na numerologia, o número 5 — número do movimento, da circulação — pertence ao prana. E nos rituais de muitas tradições, o pranayama precede toda a operação importante: regular o sopro é regular a presença, e regular a presença é a chave do simbólico.

Também conhecido como

  • sopro vital
  • energia vital
  • pneuma
  • qi
  • ruaḥ

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