Afrodite
Afrodite é a deusa grega do amor, da beleza, do desejo erótico e da geração. Nascida da espuma do mar segundo Hesíodo, ou filha de Zeus e Dione segundo Homero, encarna a força cósmica de atração que une seres e elementos. No Tarô corresponde aos Enamorados, e o seu equivalente romano é Vénus, a quem se consagra o planeta homónimo.
Mito e origem
Hesíodo conta na Teogonia (c. 700 a.C.) a versão mais célebre: quando Crono castrou o pai Urano e lançou os seus genitais ao mar, da espuma branca (em grego aphros) que envolveu os despojos nasceu Afrodite, completamente adulta. Foi transportada por uma concha até à ilha de Chipre, junto a Pafos, onde se ergueu o seu santuário mais antigo. Pausânias confirma que ali se venerava uma pedra cónica em vez de uma estátua antropomórfica, indício de origens semitas próximas da deusa Astarte.
Homero, na Ilíada, apresenta uma versão menos dramática: Afrodite seria filha de Zeus e da deusa Dione, num quadro olímpico mais civilizado. O culto grego mistura raízes mediterrânicas: a fenícia Astarte, a babilónica Ishtar e a chipriota deusa-mãe contribuíram para a figura panhelénica. Os Afrodísia eram festas celebradas em primavera, com banhos rituais e oferendas de pombas, conforme Plutarco descreve nos Diálogos sobre o Amor.
Atributos e histórias
Os seus atributos são o cinto mágico (kestos himas) que torna irresistível quem o usa, o espelho, a romã, a maçã, a pomba, o cisne, a rosa e o mirto. Casada com o coxo Hefesto, manteve amores célebres com Ares, surpreendidos numa rede invisível que o marido construiu, episódio narrado na Odisseia. Com Anquises gerou Eneias, ancestral mítico dos romanos, conforme o Hino Homérico a Afrodite.
Apolodoro narra também o seu amor por Adónis, jovem mortal de extraordinária beleza, disputado com Perséfone, e morto por um javali enviado por Ares ciumento. Do sangue do amado brotou a anémona. Foi Afrodite que ofereceu a Páris a maçã da discórdia, prometendo-lhe a mais bela das mortais (Helena), desencadeando assim a guerra de Troia. Em Esparta era venerada como Afrodite Areia, deusa armada, mostrando uma dimensão guerreira muitas vezes esquecida.
Receção moderna
Bolen, em Goddesses in Everywoman, descreveu o arquétipo Afrodite como a mulher carismática e sensual, cuja energia transforma quem ela toca, com a sombra do narcisismo e da inconstância. Jung viu nela o Anima em estado puro. A psicologia arquetípica contemporânea, em James Hillman, recuperou-a como força estética fundamental, geradora de imaginação. O asteroide 1388 Aphrodite é usado em astrologia esotérica.
Em arte ocidental, Afrodite domina desde a Vénus de Milo (c. 130 a.C.) até ao Nascimento de Vénus de Botticelli (1485), passando por Ticiano, Velázquez (Vénus do Espelho) e Cabanel. Em literatura, surge em Sapho, Ovídio, Camões (estância da Lusíadas) e Pessoa. Quem no teste Descobre a tua deidade mitológica obtém Afrodite revela talento relacional, sensibilidade estética e magnetismo afetivo.
Profundidade simbólica
No Tarô, Afrodite corresponde principalmente a Os Enamorados (Arcano VI), que retratam a escolha amorosa, e também à Imperatriz (Arcano III), pela fertilidade e abundância sensual. Astrologicamente, a sua expressão direta é Vénus, regente de Touro (sensualidade) e Balança (harmonia). Na cabala ressoa com Netzach, a Sephira da vitória do desejo.
Simbolicamente, Afrodite encarna a força unificadora que Empédocles chamou Philia em oposição a Neikos (a discórdia). O seu nascimento marinho indica que o amor surge da matéria primordial em movimento. Vê o hub do glossário para outras deidades do amor e a sua articulação com Vénus astrológica.
Também conhecido como
- Vénus
- Citereia
- Anadiómena
- Pafia
- Urânia