Mitologia

Hades

Hades é o deus grego do submundo, dos mortos e das riquezas subterrâneas. Irmão de Zeus e Poseidon, recebeu como domínio o reino dos defuntos após a Titanomaquia. Esposo de Perséfone, encarna a justiça inflexível, a invisibilidade e a fecundidade oculta da terra. O seu equivalente romano é Plutão, e no Tarô ressoa com A Morte.

Mito e origem

Hesíodo, na Teogonia (c. 700 a.C.), conta que Hades é o filho mais velho de Crono e Reia, engolido pelo pai e libertado quando Zeus obrigou Crono a vomitar os irmãos. Após dez anos de Titanomaquia, em que recebeu dos Ciclopes o elmo da invisibilidade (kynée), os três irmãos vencedores deitaram sortes para repartir o cosmos: a Zeus coube o céu, a Poseidon o mar, a Hades o submundo. A terra ficou em comum, mas Hades raramente subia à superfície, vivendo permanentemente no seu reino.

O seu nome próprio era de tal modo temido que os gregos preferiam chamar-lhe Plouton ('o rico'), eufemismo que sublinhava o aspeto positivo das riquezas minerais e da fertilidade que sobe da terra. Pausânias relata que tinha poucos templos visíveis, sendo notável o de Élis, onde a estátua era exposta apenas uma vez por ano. O culto subterrâneo de Eleusis, ligado a Plutão e Perséfone, e os mistérios de Samotrácia documentam a sua relação com a iniciação aos segredos da morte e do renascimento.

Atributos e histórias

Os seus atributos são o ceptro, o elmo da invisibilidade, o cão de três cabeças Cérbero, a romã, o cipreste e o narciso. O reino dos mortos era atravessado pelos cinco rios mitológicos: Estige (do juramento), Aqueronte (da dor), Cocito (do lamento), Flegetonte (do fogo) e Leteu (do esquecimento). O barqueiro Caronte transportava as almas pagando-se com um óbolo colocado sob a língua do morto. Três juízes — Minos, Radamanto e Éaco — julgavam os defuntos, separando-os entre os Campos Elísios, os campos dos asfódelos e o Tártaro.

O mito central é o rapto de Perséfone, narrado no Hino Homérico a Deméter: Hades abriu a terra num campo da Sicília ou de Nisa e arrastou a jovem ao seu reino, com o consentimento secreto de Zeus. Deméter, em luto, paralisou as colheitas, forçando um acordo: Perséfone passaria um terço do ano com Hades, dois terços com a mãe. Outros mitos incluem a tentativa de Pirítoo de raptar Perséfone (preso para sempre no submundo), a descida de Orfeu para resgatar Eurídice, e o caso da ninfa Mente, transformada por Perséfone na planta hortelã.

Receção moderna

Jung deu lugar central ao Hades na sua psicologia profunda, vendo-o como personificação do inconsciente, do reino interior que devemos visitar para integrar a sombra. James Hillman, em The Dream and the Underworld (1979), reabilitou Hades como guia da imaginação onírica e da introspeção. Ginette Paris, em Pagan Meditations, descreveu-o como necessário antídoto ao culto cego da luz e do progresso.

O asteroide 3 Juno e o planeta-anão Plutão, este descoberto em 1930 e despromovido em 2006, são as suas expressões astrológicas. Em astrologia, Plutão rege o signo de Escorpião e representa morte, regeneração, poder oculto. Em cultura popular, Hades aparece no videojogo Hades de Supergiant Games (2020), em Percy Jackson e em filmes de animação. Quem no teste Descobre a tua deidade mitológica obtém Hades trabalha com luto, profundidade psicológica e gestão do invisível.

Profundidade simbólica

No Tarô, Hades corresponde a A Morte (Arcano XIII), pela travessia transformadora, e ao Diabo (Arcano XV), pela ligação às riquezas materiais e ao poder oculto. Astrologicamente liga-se a Plutão, regente de Escorpião, e à oitava casa, domínio das transformações profundas. Na cabala, ressoa com Geburah, esfera do rigor, e com a casca (qliphah) de Malkuth.

Simbolicamente, Hades encarna a invisibilidade necessária, o espaço interior onde os dados da vida se transformam sem testemunha. O seu elmo da invisibilidade representa a capacidade de operar em silêncio, fora dos holofotes egoicos. Vê o hub do glossário para Perséfone e outras deidades ctónicas.

Também conhecido como

  • Plutão
  • Pluto
  • Pluton
  • Aidoneus
  • Polidegmon

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