Hera
Hera é a rainha do Olimpo, irmã e esposa de Zeus, deusa do casamento, da família legítima e da soberania feminina. Encarna a dignidade matrimonial, mas também o ciúme conjugal e a vingança contra as rivais. No Tarô corresponde à Imperatriz, e a sua versão romana é Juno, protetora das matronas.
Mito e origem
Hesíodo, na Teogonia (c. 700 a.C.), apresenta Hera como filha dos titãs Crono e Reia, irmã mais velha de Zeus, Poseidon, Hades, Deméter e Héstia. Tal como os irmãos, foi engolida pelo pai e libertada quando o caçula obrigou Crono a vomitar a sua descendência. Após a Titanomaquia, tornou-se a sétima e definitiva esposa de Zeus, num casamento sagrado conhecido como hieros gamos, celebrado no Jardim das Hespérides com a oferta da macieira de ouro.
O culto de Hera tem provavelmente raízes pré-helénicas, ligado a deusas-mãe egeias e minoicas. Os santuários mais antigos, como o Hereu de Samos e o Hereu de Argos, datam do século VIII a.C. e antecedem mesmo os grandes templos de Zeus. Pausânias descreve nos seus Itinerários que era venerada como protetora das cidades e das ligações conjugais, com festas chamadas Heraia em que jovens corriam descalças.
Atributos e histórias
Os seus atributos são o diadema, o ceptro, o pavão com os olhos de Argos, a vaca e a romã. Homero chama-lhe na Ilíada a 'augusta de braços brancos' e 'a de olhos bovinos'. Os mitos retratam-na sobretudo como esposa traída que persegue as amantes de Zeus. Atormentou Io transformando-a em vaca, Leto impedindo-a de dar à luz em qualquer terra firme, Sémele provocando-lhe a morte ao desafiá-la a ver Zeus em pleno esplendor.
Hera é também mãe de Ares, Hebe, Ilítia e Hefesto. Segundo Hesíodo, gerou Hefesto sem união sexual, em resposta ao nascimento de Atena da cabeça de Zeus. Perseguiu Héracles desde o berço, enviando-lhe duas serpentes que o herói estrangulou. Apolodoro narra ainda como envolveu Argonautas e troianos, apoiando uns e fustigando outros conforme o seu sentido de honra ferida.
Receção moderna
A psicóloga junguiana Jean Shinoda Bolen, em Goddesses in Everywoman (1984), descreveu o arquétipo Hera como a mulher cuja identidade se constrói através do papel de esposa, com a sombra do ciúme e da dependência relacional. A psicologia arquetípica vê em Hera tanto a dignidade soberana como o risco do amor possessivo. O asteroide 103 Hera, descoberto em 1868, é usado em astrologia esotérica para identificar dinâmicas conjugais e padrões de fidelidade.
Em literatura, Hera aparece desde Homero e Eurípides até Madeline Miller (Circe, 2018) e à série televisiva Hércules. Os movimentos feministas contemporâneos releram-na como figura de poder feminino frequentemente reduzido pela tradição patriarcal a mera ciumenta. Quem no teste Descobre a tua deidade mitológica obtém Hera trabalha geralmente com temas de compromisso, fidelidade, vínculo conjugal e proteção da família.
Profundidade simbólica
No Tarô, Hera ressoa com A Imperatriz (Arcano III), figura da fertilidade soberana, e parcialmente com Os Enamorados (Arcano VI), enquanto guardiã da união sagrada. O seu pavão simboliza a vigilância eterna, herdada dos cem olhos de Argos. Astrologicamente, é associada à Lua em aspeto a Júpiter e ao signo de Caranguejo no plano da maternidade institucional.
Simbolicamente, Hera representa a matriz contratual do casamento sagrado, a aliança que ordena a sucessão e a herança. Na cabala, ressoa com a Sephira Binah, a Mãe Suprema. Vê também o hub do glossário para outras deidades olímpicas e suas correspondências esotéricas.
Também conhecido como
- Juno
- Iuno
- Argiva
- Boopis
- Olímpica