Chakra
O Chakra (sânscrito चक्र, «roda», «disco») é, na tradição yogica e tântrica, um centro de energia subtil situado ao longo do eixo vertical do corpo. Os sete chakras principais alinham-se ao longo da coluna vertebral, desde a base do tronco até ao alto da cabeça, e correspondem cada um a uma cor, a um som, a um elemento e a uma dimensão da consciência. São como vórtices rotativos onde se cruzam o corpo físico e o corpo subtil. Quando estão equilibrados, a energia (prāṇa) flui livremente; quando bloqueados, surgem sintomas físicos, emocionais e espirituais.
Origem
A noção de chakras desenvolve-se sobretudo nos textos tântricos hindus e budistas a partir dos primeiros séculos da era cristã. Textos centrais incluem o Ṣaṭ-Cakra-Nirūpaṇa («Descrição dos Seis Chakras», séc. XVI, de Pūrṇānanda) e os Yogopaniṣads. O sistema dos sete chakras tornou-se canónico no hatha-yoga e no kundalini-yoga. Embora muito difundido como «o» sistema dos chakras, na verdade existem variantes tradicionais com 5, 6, 9 ou mais chakras, e a numeração varia entre escolas.
No Ocidente, o sistema dos sete chakras foi divulgado pela Teosofia (Leadbeater, The Chakras, 1927), por John Woodroffe (Arthur Avalon, The Serpent Power, 1919) e, mais tarde, pelo movimento New Age dos anos 1960-1970. A associação atual entre chakras e as cores do arco-íris (vermelho a violeta) é, em grande medida, uma síntese ocidental moderna — nos textos tradicionais hindus as cores são por vezes diferentes. Isto não invalida o sistema ocidental, mas é importante reconhecer a sua história.
Os sete chakras
Os sete chakras são: 1. Muladhara (raiz, vermelho, base da coluna, elemento terra, sobrevivência); 2. Svadhisthana (sacral, laranja, baixo-ventre, elemento água, sexualidade e criatividade); 3. Manipura (plexo solar, amarelo, alto-ventre, elemento fogo, vontade); 4. Anahata (coração, verde/rosa, peito, elemento ar, amor); 5. Vishuddha (garganta, azul, elemento éter, expressão); 6. Ajna (terceiro olho, índigo, testa, intuição); 7. Sahasrara (coroa, violeta/branco, topo da cabeça, consciência cósmica).
Os três chakras inferiores estão ligados às energias mais densas (corpo, instinto, vontade pessoal). O chakra do coração é o centro de ligação entre o inferior e o superior. Os três chakras superiores acedem às energias mais subtis (expressão, intuição, consciência). A energia kundalini, representada como uma serpente enrolada na base da coluna, desperta com a prática e sobe pelos chakras, ativando-os sucessivamente. O Kundalini-Yoga tem por objetivo despertar e elevar esta energia até ao Sahasrara, onde se alcança a iluminação.
Na prática
O trabalho com os chakras inclui várias técnicas: asanas (posturas de hatha-yoga dirigidas a cada chakra), pranayama (exercícios respiratórios), mantras (sílabas-semente bīja: LAM, VAM, RAM, YAM, HAM, OM, silêncio), meditação nos lótus correspondentes, visualização das cores, uso de cristais (ametista para o terceiro olho, quartzo rosa para o coração), aromas e mudras. As terapias energéticas modernas como o reiki trabalham diretamente sobre os chakras.
Cada chakra tem desequilíbrios típicos: muito aberto («hiperativo») ou muito fechado («hipoativo»). Um Manipura hipoativo manifesta-se como falta de iniciativa; hiperativo, como autoritarismo. Um Anahata fechado bloqueia o amor; demasiado aberto leva à dependência afetiva. Na numerologia, os números 1-7 podem ser associados aos chakras. Na astrologia, planetas e signos têm afinidades chakricas (Marte com Manipura, Vénus com Anahata, etc.). Ver mais no Glossário.
Profundidade simbólica
Simbolicamente, os sete chakras são a escada interior que liga a terra ao céu. Refletem a antiga intuição de que o ser humano é um cosmos em miniatura (microcosmos) e que percorrer este caminho ascendente é o sentido último da existência. A serpente kundalini é prima da serpente do Génesis, do Uróboros alquímico e dos dragões orientais — todos símbolos da energia primordial. A subida pelos chakras corresponde, em termos psicológicos, ao processo de individuação descrito por C. G. Jung: integrar progressivamente as camadas da psique até se realizar o Self.
Encontra-se correspondência com outras tradições. Na Cabala, as dez Sephirot da Árvore da Vida formam um sistema vertical semelhante: Malkuth (raiz/terra) corresponde a Muladhara; Tiferet (coração) a Anahata; Keter (coroa) a Sahasrara. No tarô, o caminho dos Arcanos Maiores (do Louco ao Mundo) pode ler-se como uma jornada chakrica. Na medicina tradicional chinesa, os dantian (três campos de cinábrio: inferior, médio, superior) sintetizam os sete chakras em três centros. A universalidade da imagem dos centros energéticos sugere uma estrutura fundamental da experiência humana. Ver também Aura.
Também conhecido como
- centro de energia
- roda energética
- vórtice subtil
- lótus
- centro psíquico