Esoterismo

Chakra do Coração (Anahata)

O Chakra do Coração ou Anahata (sânscrito अनाहत, «som não golpeado», «inferido») é o quarto dos sete chakras principais, situado no centro do peito, ao nível do coração. Está associado às cores verde e rosa, ao elemento ar, ao sentido do tato e ao mantra-semente YAM. É o centro do amor, da compaixão, da empatia, do perdão e da união — o ponto onde os três chakras inferiores (corpo, emoção, vontade) se equilibram com os três superiores (expressão, intuição, consciência). É o coração espiritual, distinto do órgão físico.

Origem

O Anahata é descrito nos textos tântricos clássicos como um lótus de doze pétalas cor-de-rosa ou vermelho-douradas (a associação ao verde é tipicamente ocidental e moderna). No seu centro encontra-se um yantra formado pela sobreposição de dois triângulos (um apontando para cima, masculino; outro para baixo, feminino) — desenho idêntico à estrela de seis pontas, símbolo da união dos opostos. A divindade tutelar é Isha (forma de Shiva) com a sua śakti Kakini. O nome «som não golpeado» refere-se ao som primordial que aqui ressoa sem precisar de choque entre objetos — o nāda interior.

A figura geométrica do Anahata — duas pirâmides invertidas formando uma estrela — anuncia o chakra como ponto de cruzamento. No Ocidente, o significado deste centro foi profundamente influenciado pela tradição cristã do Sagrado Coração, pelos místicos sufis (o coração como espelho de Deus em Rumi e Ibn Arabi) e pela poesia romântica. O movimento New Age dos anos 1970-1980 colocou o coração no centro da espiritualidade contemporânea — pensemos em mestres como Ram Dass, Thich Nhat Hanh ou Mata Amritanandamayi (Amma), conhecida como «a santa dos abraços».

Funções e desequilíbrios

O Anahata governa o coração físico, os pulmões, o timo, o sistema circulatório, os braços, as mãos, a parte superior das costas. No plano psíquico, está ligado ao amor em todas as suas formas — pelos outros, por si mesmo, pelos animais, pela natureza, pelo divino. Está ligado à compaixão, à empatia, à capacidade de perdoar, de aceitar, de se abrir. É também o centro do reconhecimento profundo: «vejo-te». Quando o Anahata se abre, a pessoa passa do amor egocêntrico (que ama para receber) ao amor incondicional (que ama por amar). É a fronteira entre a pequena e a grande espiritualidade.

Um Anahata hipoativo manifesta-se como frieza emocional, dificuldade em receber afecto, isolamento, ressentimento, mágoas antigas não curadas, problemas pulmonares e cardíacos. Hiperativo, leva à dependência afetiva, à co-dependência, ao sacrifício compulsivo, ao messianismo, ao «coração mole» que se anula pelos outros. O equilíbrio traduz-se em amor lúcido: capacidade de amar sem se perder, de dar sem se esgotar, de receber sem dever, de ter limites e ser ao mesmo tempo profundamente aberto. O verdadeiro Anahata aberto não é pieguice — é força tranquila.

Na prática

Posturas de yoga que ativam o Anahata: todas as posturas de abertura do peito — ustrasana (camelo), bhujangasana (cobra), matsyasana (peixe), setu bandhasana (ponte), anahatasana (postura do coração derretido). Pranayama: respiração consciente lenta e profunda, focada no peito. Mantra: YAM ou o canto do Aum (Om) prolongado. Meditação de metta (amor benevolente), tradicional do budismo: enviar mentalmente bons votos a si mesmo, depois a entes queridos, neutros, difíceis e finalmente a todos os seres. Tocar e ser tocado com presença, abraçar, acariciar animais, contacto com a natureza.

Cristais: quartzo rosa (suavidade), esmeralda, malaquite, jade, rodocrosite, aventurina verde. Aromas: rosa, gerânio, bergamota, sândalo, lavanda. Na numerologia, o 2 (parceria), 6 (amor) e 9 (compaixão universal) ressoam com Anahata. Na astrologia, Vénus, Júpiter e os signos de Touro, Balança e Peixes têm afinidade. No tarô, Os Amantes, A Imperatriz e o naipe de Copas são profundamente anahatas. Mais no Glossário.

Profundidade simbólica

Simbolicamente, o Anahata é o centro — não apenas anatomicamente, mas espiritualmente. É o coração da pessoa, no duplo sentido do órgão e da essência. Os hexagonais do Anahata (estrela de David) representam a hierogamia interior: o masculino e o feminino, o céu e a terra, o material e o espiritual, casados no íntimo. Quando este centro se abre, a separação do mundo dilui-se; descobre-se que tudo está ligado pelo fio invisível do amor. Não por acaso, todas as grandes religiões do mundo apontam para o coração como ponto último: «ama o teu próximo como a ti mesmo», ensina Jesus; «o coração contém o que os céus e a terra não contêm», diz um hadith sufi.

Encontra-se paralelo direto na Sephira Tiferet (Beleza, Harmonia) da Cabala, ponto central da Árvore da Vida, associada ao sol espiritual e à figura do Messias. Em C. G. Jung, o Anahata é o lugar do Self — o centro arquetípico da personalidade integrada, onde os opostos se reconciliam. Na alquimia, é a conjunctio oppositorum, o casamento alquímico. Na medicina contemporânea, o instituto HeartMath demonstrou que o coração tem um sistema neural próprio («cérebro do coração») e emite um campo eletromagnético muito mais amplo do que o do cérebro — confirmando experimentalmente intuições antigas. Ver também sétima casa.

Também conhecido como

  • Anahata
  • centro do peito
  • lótus de doze pétalas
  • chakra do amor
  • coração espiritual

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