Esoterismo

Moksha

O Moksha (sânscrito मोक्ष, da raiz muc-, «soltar», «libertar») é a libertação definitiva do ciclo de nascimento, morte e renascimento (Samsara). É o objetivo supremo da existência humana no hinduísmo, o último dos quatro fins legítimos da vida (puruṣārtha), juntamente com dharma, artha e kāma. Quem alcança o moksha não regressa mais ao mundo das formas: a sua alma (ātman) reconhece-se como una com o Absoluto (Brahman). É o equivalente hindu daquilo que o budismo chama Nirvana.

Origem

O conceito surge nos Upanishads (a partir de 800 a.C.) e é desenvolvido nos sistemas filosóficos clássicos (darśanas): Vedanta, Sāṃkhya, Yoga, Nyāya, Vaiśeṣika e Mīmāṃsā. Cada escola entende o moksha à sua maneira: para o Advaita Vedanta de Shankara (séc. VIII), é o reconhecimento da não-dualidade entre a alma individual e Brahman; para o Sāṃkhya, é a separação radical entre puruṣa (consciência) e prakṛti (matéria); para o Yoga de Patanjali, é o kaivalya, o isolamento absoluto do espírito.

O termo entrou no vocabulário ocidental sobretudo através da Teosofia (Blavatsky, Annie Besant) no final do século XIX e da divulgação do Vedanta por mestres como Vivekananda (Congresso das Religiões, Chicago 1893) e Ramana Maharshi. Nos anos 1960-1970, com a difusão do yoga e do New Age, a noção tornou-se familiar no Ocidente, embora frequentemente confundida com nirvana ou com uma vaga ideia de «iluminação espiritual».

Os caminhos para o moksha

A tradição hindu reconhece quatro yogas ou caminhos clássicos para o moksha: Jñāna-Yoga (caminho do conhecimento), em que se discrimina entre o real e o ilusório por investigação filosófica; Bhakti-Yoga (caminho da devoção), em que se dissolve o ego no amor a Deus; Karma-Yoga (caminho da ação), em que se age desinteressadamente, oferecendo o fruto a Deus; e Rāja-Yoga (caminho real), o yoga meditativo de Patanjali, com os seus oito ramos.

O moksha pode ser alcançado em vida — neste caso fala-se de jīvanmukti, o «libertado em vida», que continua a habitar o corpo mas não está mais identificado com ele. Quando o corpo finalmente cai, dá-se a libertação completa, videhamukti. O jīvanmukta age no mundo sem gerar novo karma, porque já não há um «eu» que se aproprie das ações. Exemplos clássicos: Ramana Maharshi, Ramakrishna, Nisargadatta Maharaj.

Na prática

Na prática contemporânea, trabalha-se para o moksha através da meditação (dhyāna), do estudo dos textos sagrados (śravaṇa), da reflexão (manana) e da contemplação prolongada (nididhyāsana). O método clássico do Advaita é a investigação «Quem sou eu?» (ātma-vicāra), tornada célebre por Ramana Maharshi: ao remontar à fonte do pensamento, descobre-se que o pensador é uma ilusão, e fica apenas a consciência pura.

No tarô, cartas como O Mundo, O Louco (no seu sentido superior) e A Estrela apontam para experiências relacionadas com o moksha — a totalidade, a liberdade absoluta, a esperança transcendental. Na astrologia, a casa XII e Neptuno simbolizam a dissolução do ego e a fusão com o Todo. Na numerologia, o número mestre 22 ou o 9 (conclusão de ciclo) podem indicar uma alma em busca de libertação. Ver mais no Glossário.

Profundidade simbólica

Simbolicamente, o moksha é a gota que regressa ao oceano — uma imagem clássica das Upanishads. Não há aniquilação: a gota não deixa de existir, mas reconhece que sempre foi oceano. Esta dissolução não é morte, mas plenitude. Outra imagem tradicional: a serpente que se desfaz da pele, ou o pássaro que se liberta da gaiola — não para deixar de ser, mas para ser sem limites. O moksha é o estado natural da consciência quando deixa de se identificar com as suas modificações.

Em paralelos ocidentais, o moksha encontra ecos na henosis neoplatónica (a união com o Uno em Plotino), na unio mystica dos místicos cristãos (Mestre Eckhart, João da Cruz) e na devekut da Cabala (adesão a Deus). Na Cabala, corresponde ao retorno ao Ein Sof, a infinitude divina. Em C. G. Jung, é o Self realizado, o ponto omega da individuação. O moksha é a resposta final à pergunta humana fundamental — não através de uma teoria, mas de uma experiência direta da unidade. Ver também décima segunda casa.

Também conhecido como

  • libertação
  • iluminação
  • kaivalya
  • mukti
  • autorrealização

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