Mitologia

Apolo

Apolo é o deus grego do sol, da música, da poesia, da profecia, do tiro com arco e da cura. Filho de Zeus e de Leto, irmão gémeo de Ártemis, encarna a luz inteligível, a harmonia e o equilíbrio formal. Era venerado sobretudo no oráculo de Delfos e no Tarô ressoa com O Sol, símbolo da consciência clara.

Mito e origem

O Hino Homérico a Apolo (séculos VII-VI a.C.) narra o seu nascimento na ilha flutuante de Delos, onde Leto se refugiou após ser perseguida pela ciumenta Hera. Nenhuma terra firme ousava recebê-la, mas Delos aceitou, e Leto deu à luz primeiro Ártemis e depois Apolo, junto a uma palmeira sagrada. À nascença, cisnes brancos circundaram a ilha sete vezes, e Apolo recebeu logo a lira e o arco como insígnias.

Adulto, Apolo dirigiu-se a Delfos, onde matou com flechas a serpente Píton, filha de Gaia, instaurando aí o seu oráculo. Conforme Pausânias relata nos seus Itinerários do século II d.C., a Pítia, sacerdotisa do deus, profetizava sentada sobre uma trípode, e os seus enigmas marcaram a história grega, desde Sócrates ('conhece-te a ti mesmo') até Édipo. O culto délfico organizou os Jogos Píticos, celebrados de quatro em quatro anos.

Atributos e histórias

Os seus atributos são a lira, o arco, o louro, o cisne e o delfim. Homero chama-lhe 'Febo' (o brilhante) e 'Apolo dos longos cabelos'. Como deus da música, dirige as nove Musas no monte Hélicon, e o seu desafio com o sátiro Mársias, descrito por Ovídio nas Metamorfoses, mostra o caráter implacável da arte verdadeira face à mera técnica. Como deus da cura, é pai de Asclépio, ainda que paradoxalmente possa também enviar pragas, como no primeiro canto da Ilíada.

A sua relação com o feminino é trágica: amou a ninfa Dafne, que fugindo dele se transformou em loureiro; perseguiu Cassandra, dando-lhe o dom profético mas depois retirando-lhe a credibilidade; chorou a morte acidental do jovem Jacinto, transformado na flor homónima. Estas histórias, narradas por Ovídio e Apolodoro, revelam a tensão entre a luz solar e a sombra do desejo inatendido. Tardiamente, foi identificado com Hélio, o titã do sol propriamente dito.

Receção moderna

Friedrich Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia (1872), opôs o apolíneo (forma, sonho, individuação) ao dionisíaco (êxtase, dissolução), tornando este binómio fundamental para a estética moderna. Jung viu em Apolo o arquétipo do Senex luminoso, equilíbrio entre razão e visão. O programa espacial Apollo da NASA (1961-1972) reciclou o nome para encarnar a aspiração humana ao céu solar.

Na literatura aparece desde Píndaro até Rainer Maria Rilke (Torso Arcaico de Apolo, 1908), Yukio Mishima e os romances de Madeline Miller. Em astrologia, o asteroide 1862 Apollo, descoberto em 1932, é interpretado como expressão criativa e busca de excelência. Quem no teste Descobre a tua deidade mitológica obtém Apolo tende ao talento artístico, à clareza mental e à exigência de perfeição.

Profundidade simbólica

No Tarô, Apolo corresponde a O Sol (Arcano XIX), símbolo de consciência radiante e alegria infantil, e em parte a O Mago (Arcano I), pela mestria das artes. Astrologicamente liga-se diretamente ao Sol natal, à expressão do Eu essencial. Na cabala, ressoa com Tiferet, a esfera central do equilíbrio e da beleza solar.

Simbolicamente, Apolo representa a luz formada, a beleza como medida, a profecia como capacidade de ver a totalidade temporal. O seu lema délfico 'conhece-te a ti mesmo' inaugura a filosofia ocidental. Vê o hub do glossário para outras deidades solares e a sua articulação com a Árvore da Vida cabalística.

Também conhecido como

  • Apollo
  • Febo
  • Pean
  • Lóxias
  • Délio

← Voltar ao Glossário