Esoterismo

Dharma

O Dharma (sânscrito धर्म, da raiz dhṛ-, «sustentar», «suportar») é um dos conceitos mais amplos e fundamentais da espiritualidade indiana. Pode traduzir-se por «dever», «ensinamento», «lei», «virtude» ou «natureza essencial», mas nenhuma destas palavras esgota o seu sentido. O Dharma é simultaneamente o princípio cósmico que sustém o mundo e o caminho pessoal que cada ser deve seguir para estar em harmonia com esse princípio. Forma, com o Karma, o Samsara e o Moksha, a quaterna fundamental do pensamento hindu.

Origem

O termo aparece já nos hinos do Rigveda (segundo milénio a.C.) com o sentido de «aquilo que sustém o cosmos». Nos Upanishads e nos Dharmaśāstras (textos legais hindus como as Leis de Manu), o conceito desenvolve-se em múltiplas direções: sanātana dharma (a ordem eterna), varṇāśrama dharma (os deveres conforme a casta e o estádio de vida) e svadharma (o dever pessoal de cada um). Na Bhagavad Gita, Krishna dirige a Arjuna a célebre exortação de que é melhor cumprir o próprio dharma, mesmo imperfeitamente, do que o dharma de outrem com perfeição.

No budismo, Dharma (em páli dhamma) designa, antes de mais, o ensinamento do Buda — a verdade que ele descobriu e transmitiu. Constitui uma das «Três Jóias» (Buda, Dharma, Sangha) nas quais o praticante toma refúgio. No Ocidente, o termo chega através da Teosofia (1875) e popularizou-se nos anos 1960-1970 com a difusão do budismo Zen e do hinduísmo, tornando-se hoje parte do vocabulário comum de quem segue caminhos espirituais orientais.

O dharma cósmico e o pessoal

No sentido cósmico, o Dharma é a ordem invisível que mantém o universo coeso — semelhante ao conceito grego de logos ou ao chinês de Tao. É a lei que faz com que o Sol se erga, as estações se sucedam e as galáxias orbitem. Quando esta ordem é violada, surge adharma: caos, doença, sofrimento. Os avatares de Vishnu (Krishna, Rama) descem ao mundo precisamente quando o dharma se debilita, para o restaurar.

No sentido pessoal, o svadharma é o caminho único de cada alma — aquilo que ela veio fazer e ser nesta vida. Descobrir o próprio dharma exige escuta interior, observação dos próprios talentos e da própria voz. A tradição hindu distingue ainda quatro fins legítimos da vida (puruṣārtha): dharma, artha (prosperidade), kāma (prazer) e moksha (libertação). Dharma é o que dá sentido aos outros três — sem ele, prosperidade torna-se ganância e prazer torna-se vício.

Na prática

Viver o dharma significa agir em sintonia com a própria natureza essencial e com o bem do todo. Na prática contemporânea, isto traduz-se por escolhas profissionais alinhadas com a vocação, por relações honestas e por um compromisso ético quotidiano. O Karma-Yoga é precisamente o caminho de agir segundo o dharma sem apego ao resultado. A meditação e a leitura de textos sagrados (Gita, Dhammapada) ajudam a discernir o que pertence verdadeiramente ao próprio caminho.

No tarô, cartas como O Hierofante, A Justiça e O Eremita remetem para questões de dharma — qual o ensinamento, qual a lei interior, qual o caminho próprio. Na astrologia, a casa X (vocação) e Júpiter (o guru celeste) indicam pistas dhármicas. O número da vida na numerologia também sinaliza a tarefa essencial. Ver mais no Glossário.

Profundidade simbólica

Simbolicamente, o Dharma é a coluna invisível que sustém tanto o cosmos como a vida individual. O símbolo budista da roda do dharma (dharmacakra), com os seus oito raios, representa o Nobre Caminho Óctuplo e a ordem perfeita que se irradia em todas as direções. Esta roda aparece na bandeira indiana e nos templos budistas em todo o mundo. Para o praticante, descobrir o dharma é alinhar a roda da sua vida com a roda do cosmos — eliminar o atrito da existência.

Na Cabala, o Dharma encontra paralelo no conceito de Tikkun Olam, a reparação do mundo, e na ideia de que cada alma traz um nome secreto, uma missão que apenas ela pode realizar. Em C. G. Jung, corresponde ao processo de individuação: tornar-se aquilo que se é em essência. O Dharma é, em última análise, a resposta à pergunta «porquê estou aqui?». Não é uma resposta intelectual, mas vivida: reconhece-se pela paz e pela coerência interior que produz quando seguido. Ver também décima casa.

Também conhecido como

  • lei cósmica
  • dever sagrado
  • caminho
  • natureza essencial
  • sanātana dharma

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