Mitologia

Anúbis

Anúbis (egípcio Inpu ou Anpu) é o deus egípcio com cabeça de chacal, responsável pela mumificação, pela proteção dos túmulos e pela condução das almas até o tribunal de Osíris. Encarna a fronteira entre vida e morte, e a precisão ritual do funeral. No Tarô ressoa com A Morte e parcialmente com O Julgamento.

Mito e origem

Anúbis é uma das mais antigas divindades atestadas no Egito, presente já nos Textos das Pirâmides (c. 2400 a.C.) como deus funerário maior, antes mesmo da centralidade de Osíris. As primeiras representações com cabeça de chacal (ou de cão selvagem do deserto, espécie Canis lupaster) datam do período pré-dinástico, c. 3100 a.C. Os chacais habitavam as bordas do deserto e os cemitérios, escavando frequentemente as tumbas, o que levou os egípcios a venerar a sua forma para conter os seus instintos predadores.

Quando o culto de Osíris ascendeu no Império Médio, Anúbis foi integrado como filho ilegítimo de Osíris com Néftis, irmã de Ísis, segundo a narrativa preservada por Plutarco em Sobre Ísis e Osíris. Por temor de Set, Néftis abandonou o recém-nascido nas marismas, onde Ísis o encontrou e criou como filho adotivo. Anúbis tornou-se assim aliado fiel da tríade osiríaca, encarregado de mumificar o próprio Osíris, inaugurando a arte do embalsamamento. O seu principal centro de culto foi Cinópolis ('cidade dos cães'), no 17.º nomo do Alto Egito.

Atributos e histórias

Os seus atributos são a cabeça de chacal sobre corpo humano (ou chacal inteiro deitado), o nekhakha (mangual), o cetro uas, o colar usekh, frequentemente em cor negra (símbolo da terra fértil e da carne mumificada). Os títulos egípcios sublinham as suas funções: Imy-ut ('o que está nas vestes embalsamatórias'), Khenty-Seh-Netjer ('que preside à barraca divina do embalsamamento'), Tepy-dju-ef ('que está sobre a sua montanha', vigia das necrópoles).

No Livro dos Mortos (c. 1550 a.C.), Anúbis aparece na cerimónia da pesagem do coração: conduz o defunto perante a balança, ajusta o fiel, monitora a precisão do julgamento. Se o coração era mais pesado do que a pena de Maat, o monstro Ammit devorava-o; se equilibrava, o defunto entrava no reino de Osíris. Em paralelo, oficiava o rito da abertura da boca, com instrumentos rituais que devolviam ao morto a capacidade de comer, falar e respirar no além. Os sacerdotes embalsamadores usavam máscaras de Anúbis durante o trabalho, atestadas em achados arqueológicos.

Receção moderna

Na Aurora Dourada e em rituais herméticos modernos, Anúbis é invocado como guardião do limiar e patrono da iniciação aos mistérios. James Hillman, em The Dream and the Underworld (1979), elogia-o como o psicopompo paradigmático, o cão que guia o ego em viagens noturnas pelos sonhos e pelo inconsciente. A psicologia tanatológica de Elisabeth Kübler-Ross utilizou-o como imagem de aceitação serena da morte.

O asteroide 1912 Anubis, descoberto em 1961, é usado em astrologia esotérica para indicar processos de luto e fronteiras existenciais. Em cultura popular, surge no videojogo Assassin's Creed Origins, em Stargate e em Yu-Gi-Oh!. Em literatura, Neil Gaiman, em American Gods (2001), representa-o como agente funerário em Chicago. Quem no teste Descobre a tua deidade mitológica obtém Anúbis trabalha temas de luto, cuidados paliativos, fronteiras entre mundos e fidelidade silenciosa.

Profundidade simbólica

No Tarô, Anúbis corresponde a A Morte (Arcano XIII), pela travessia, ao Julgamento (Arcano XX), pelo papel na balança, e em parte ao Eremita (Arcano IX), pelo silêncio guia. Astrologicamente liga-se a Plutão e ao signo de Escorpião, bem como à oitava casa. Na cabala, ressoa com Geburah, pelo rigor da justiça, e com Yesod, pela proximidade com o invisível.

Simbolicamente, Anúbis encarna o cuidado funerário elevado a culto: a dignidade com que se acompanha quem parte. A cor negra dos seus chacais não é morte como aniquilação, mas como solo fértil donde brota nova vida. Vê o hub do glossário para Osíris, Maat e o complexo do julgamento egípcio.

Também conhecido como

  • Inpu
  • Anpu
  • Yinepu
  • Hermanúbis
  • Khentamentiu

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