Hator
Hator (egípcio Hut-Hor, 'casa de Hórus') é a deusa egípcia do amor, da música, da dança, da alegria, da maternidade e do céu noturno. Representada como vaca celeste ou mulher com cornos lunares, é uma das mais populares e antigas deidades do Egito. Sincretizou-se com Ísis e com a Afrodite grega. No Tarô ressoa com A Imperatriz.
Mito e origem
Hator é atestada desde o período pré-dinástico (c. 3100 a.C.), provavelmente como evolução de uma antiga deusa-vaca celeste, Bat, cuja representação aparece na Paleta de Narmer. Os Textos das Pirâmides (c. 2400 a.C.) descrevem o faraó morto a ser amamentado por Hator-vaca, garantindo-lhe o renascimento celeste. O seu nome significa literalmente 'casa de Hórus', isto é, ela contém Hórus solar no seu ventre celeste; era simultaneamente mãe, esposa e filha do deus falcão, refletindo a fluidez relacional da teologia egípcia.
O templo de Dendera, no Alto Egito, é o principal centro do seu culto, com a estrutura atual construída entre 54 a.C. e 68 d.C. sob os Ptolomeus e Romanos sobre fundações muito mais antigas. As suas paredes preservam um dos calendários astronómicos mais completos do mundo antigo, o Zodíaco de Dendera, e descrições detalhadas dos festivais. O outro grande templo foi o de Deir el-Bahari, junto ao templo funerário de Hatshepsut, e o templo do Sinai em Serabit el-Khadim, ligado às minas de turquesa que ela protegia como 'Senhora da Turquesa'.
Atributos e histórias
Os seus atributos são a vaca (forma teriomórfica), os cornos com disco solar sobre cabeça humana, o sistro (chocalho ritual com pequenas placas metálicas), o colar menat (contas pesadas em forma de balanço), a palmeira sicómoro (onde aparece distribuindo água e pão aos defuntos), e o espelho. A iconografia plástica inclui também a face frontal hatórica em capitéis de coluna, presente em centenas de templos.
O mito do Olho de Rá apresenta-a numa dupla face: como Sekhmet furiosa quando o olho parte para massacrar a humanidade, e como Hator gentil quando regressa apaziguada. O Mito do Olho Distante, conservado no templo de Filae, narra como Tot ou Shu foi à Núbia buscar a deusa zangada que tinha abandonado o Egito, persuadindo-a a regressar através de música e dança. A festa anual do regresso de Hator era celebrada com embriaguez ritual em Dendera, comemorando o apaziguamento divino. Era também patrona dos mineiros que iam ao deserto, garantindo o regresso seguro.
Receção moderna
Heródoto, no século V a.C., identificou Hator com Afrodite, e os gregos celebravam-na no Egito ptolemaico como tal. Tom Kenyon, em The Hathor Material (1996), apresentou-a como entidade canalizada de uma civilização interdimensional, com forte sucesso no movimento New Age. Normandi Ellis e Naomi Ozaniec divulgaram-na no neopaganismo contemporâneo. O movimento Sacred Sexuality recupera-a como ícone da sexualidade celebrada e não reprimida.
Em literatura aparece em Christian Jacq, Pauline Gedge e numerosos romances de egiptomania. Em arte, inspira danças sagradas modernas que recuperam o uso ritual do sistro. Quem no teste Descobre a tua deidade mitológica obtém Hator revela vocação para a alegria, talento artístico, sensualidade celebrada, capacidade maternal expansiva e função social de aglutinar comunidades através da música e da festa. O asteroide 2340 Hathor, descoberto em 1976, simboliza estes mesmos temas.
Profundidade simbólica
No Tarô, Hator corresponde principalmente à Imperatriz (Arcano III), pela fertilidade celebrada e a maternidade abundante, e à Os Enamorados (Arcano VI), pelo amor sensual. Astrologicamente liga-se a Vénus, regente de Touro e Balança, e ao Sol em conjunção. Na cabala, ressoa com Netzach, a Sephira do desejo e da arte, e secundariamente com Binah na sua dimensão materna.
Simbolicamente, Hator encarna a matriz acolhedora que une o céu noturno (vaca cósmica) com o seio que amamenta. O sistro representa a vibração sonora que move a alegria e dispersa as forças hostis. Vê o hub do glossário para Sekhmet, a sua dupla furiosa, e Ísis, com quem se sincretiza no período tardio.
Também conhecido como
- Hut-Hor
- Senhora da Turquesa
- Senhora do Sicómoro
- Vaca Celeste
- Aurora de Ouro