Yin e Yang
Yin e Yang (陰陽, Yīnyáng) são os dois princípios complementares fundamentais da cosmologia chinesa: pares de opostos que, longe de se excluírem, se geram mutuamente. Yin é o feminino, escuro, frio, receptivo, lunar, água, vale, repouso; Yang é o masculino, luminoso, quente, activo, solar, fogo, montanha, movimento. A sua interacção dinâmica origina todas as coisas. O símbolo do Tai Chi (☯) — círculo dividido por uma curva sigmoide, com um ponto de cada cor no campo oposto — é a sua imagem universal.
Origem
As palavras Yin (陰) e Yang (陽) referem-se originalmente, no chinês antigo, à face sombria e à face soalheira de uma montanha. O Yin é o lado norte da encosta, ainda fresco e húmido; o Yang é o lado sul, banhado pelo sol. Esta intuição agrícola e geomântica concreta foi-se abstractizando até se tornar princípio cosmológico universal. As referências escritas mais antigas estão no Yi Jing arcaico e no Dao De Jing (séc. VI-IV a.C.), atribuído a Lao Zi: «Todos os seres carregam o Yin nas costas e o Yang nos braços, e o sopro vital harmoniza-os.»
A formalização filosófica do Yinyangismo deve-se a Zou Yan (séc. IV-III a.C.), filósofo da Escola dos Naturalistas que integrou Yin-Yang com os Cinco Elementos (Wu Xing: madeira, fogo, terra, metal, água). Esta síntese tornou-se a estrutura conceptual partilhada por taoismo, confucianismo e legalismo, e o substrato comum da medicina, da agricultura, da astrologia, da estratégia militar e da política chinesas durante mais de dois milénios.
Princípios e leis
O Yinyangismo obedece a quatro leis fundamentais. Oposição: Yin e Yang são contrários — sem dia não há noite, sem alto não há baixo. Interdependência: um existe pelo outro; eliminado um, desaparece também o outro. Transformação mútua: ao atingir o máximo, cada um converte-se no oposto (o sol ao meio-dia começa a descer, o frio do solstício é o início do retorno do calor). Crescimento e diminuição equilibrados: o aumento de um implica a redução do outro, num movimento perpétuo e nunca estático.
Esta dialéctica não é a dialéctica hegeliana (tese-antítese-síntese) nem o dualismo cartesiano (matéria-espírito). Yin e Yang não se sintetizam num terceiro termo nem se opõem como substâncias separadas: são duas faces inseparáveis da mesma realidade, como côncavo e convexo, expiração e inspiração. O ponto branco no campo preto e o ponto preto no campo branco (no símbolo Tai Chi) lembram que cada princípio contém em si mesmo a semente do oposto. Para experimentar a aplicação adivinhatória, vê o I Ching.
Na prática
Na medicina chinesa, a saúde é equilíbrio dinâmico entre Yin e Yang. Excesso de Yang manifesta-se como inflamação, febre, agitação, insónia; excesso de Yin como frio, lentidão, humidade, depressão. Os tratamentos (acupunctura, fitoterapia, dieta) visam restaurar o equilíbrio. Na dietética, alimentos classificam-se segundo a sua natureza térmica: o gengibre é Yang, o melão é Yin; o cordeiro é Yang, o tofu é Yin. O equilíbrio depende da estação, da constituição individual e do estado de saúde.
No Feng Shui, harmonizam-se espaços segundo a circulação de Qi entre Yin e Yang: zonas de actividade pública (Yang) e de descanso íntimo (Yin) devem estar bem distribuídas. No Tai Chi Chuan e nas artes marciais internas, os movimentos alternam abertura/fecho, vazio/cheio, suave/firme. Na vida quotidiana: alterna trabalho (Yang) e repouso (Yin), conversa (Yang) e silêncio (Yin). Vê o oráculo I Ching, o Bagua e o Taoismo. Hub: /orakel.
Profundidade simbólica
O Yinyangismo é talvez a mais elegante teoria do real jamais formulada: explica tudo sem reduzir nada. Não é monismo (que dissolve as diferenças) nem dualismo (que as absolutiza): é complementarismo dinâmico. Influenciou profundamente o pensamento ocidental moderno através de Niels Bohr (que adoptou o símbolo Tai Chi no seu brasão de armas dinamarquês depois de formular o princípio da complementaridade na física quântica), Jung (o «par de opostos» como estrutura psíquica fundamental), e os ecologistas (equilíbrio dinâmico dos ecossistemas).
A relação com outros sistemas oraculares é estrutural: as 22 letras hebraicas têm o seu próprio jogo de polaridades, as 24 runas do Elder Futhark alternam masculino e feminino, os 22 Arcanos Maiores têm pares complementares (Imperador-Imperatriz, Sol-Lua, Mago-Sacerdotisa). Em todo o lado, o real revela-se polar. Aprofunda em I Ching, Trigrama, Taoismo ou explora o glossário.
Também conhecido como
- Yīnyáng
- Tai Chi (símbolo)
- Polaridade Chinesa
- Princípios Complementares
- 陰陽