Esoterismo

Corpo Astral

O Corpo Astral é, na tradição esotérica ocidental, um dos corpos subtis do ser humano: o veículo das emoções, dos desejos, das paixões e da vida sensível. Situa-se, segundo a anatomia teosófica, entre o corpo etérico (vital) e o corpo mental. É «astral» — do grego astron, estrela — porque seria composto da mesma substância luminosa que constitui o mundo das estrelas e dos astros, e porque permitiria viagens fora do corpo físico no chamado plano astral.

Origem

A noção de corpo de natureza estelar tem raízes no neoplatonismo (Plotino, séc. III; Porfírio, Jâmblico, Proclo): a alma desce dos astros e adquire em cada esfera celeste um «invólucro» (okhēma) que lhe permite atravessar os mundos. Na Idade Média, é retomada pelos médicos-filósofos (Galeno, Avicena) com a noção de «espírito» intermediário entre alma e corpo. Paracelso (séc. XVI) fala de um «corpo sideral» que recebe os influxos dos astros; Jakob Böhme e Robert Fludd elaboram a ideia no séc. XVII.

A formulação moderna deve-se à Teosofia de Helena Blavatsky e, sobretudo, aos seus continuadores Charles Leadbeater e Annie Besant em obras como Man Visible and Invisible (1902) e Thought-Forms (1905). Rudolf Steiner, na Antroposofia (a partir de 1907), distingue quatro corpos: físico, etérico, astral e Eu (Ich). Para Steiner, o corpo astral é o veículo da sensibilidade e da consciência diurna, comum aos seres humanos e aos animais (não às plantas, que têm apenas físico e etérico).

Anatomia subtil

O corpo astral seria mais subtil do que o etérico, mais denso do que o mental. Estende-se em torno do corpo físico como uma «aura» colorida cujas cores variam com o estado emocional: vermelho-paixão, laranja-orgulho, amarelo-intelecto, verde-empatia, azul-devoção, violeta-espiritualidade. Os clarividentes diriam ver, no astral, formas-pensamento e formas-emoção que se desprendem da pessoa, viajam e podem afetar outros. Esta «contaminação emocional» é a versão astral do contágio.

O plano astral é descrito como um mundo intermediário com a sua geografia, povoado de seres humanos desencarnados, entidades não-humanas, formas-pensamento coletivas e arquétipos. Durante o sono, o corpo astral separar-se-ia parcialmente do físico (o «sono é uma viagem astral inconsciente», dizem os teosofistas) e os sonhos vívidos refletiriam experiências aí vividas. Práticas específicas — sonho lúcido, projeção consciente — permitiriam treinar o controlo destas viagens. Robert Monroe e Sylvan Muldoon foram, no séc. XX, divulgadores de tais técnicas.

Na prática

O trabalho com o corpo astral começa pela higiene emocional: as emoções intensas, repetidas, deixam «marcas» no astral, que tendem a reproduzir-se. Práticas tradicionais incluem o exame de consciência ao deitar (revisão do dia, perdoando-se e perdoando), a oração da noite, a higiene dos pensamentos antes de dormir. Steiner recomenda uma «retrospetiva» feita em sentido inverso ao tempo: começar pela última cena do dia e remontar até de manhã, observando sem se identificar.

A projeção astral consciente é um ramo mais ambicioso. As técnicas variam: relaxamento profundo até ao limiar do sono mantendo a consciência (estado hipnagógico), visualização da subida pelas costas ou pelo topo da cabeça, indução pela paralisia do sono. O praticante experiente reportaria sair do corpo, ver-se à distância e mover-se à velocidade do pensamento. Aborda esta prática com prudência e sem ansiedade. Ver também Aura, Corpo Etérico e Teosofia. Mais no Glossário.

Profundidade simbólica

O corpo astral é, simbolicamente, a biografia emocional tornada presença. É o que carregamos do que sentimos, do que desejámos, do que nos magoou e do que nos exaltou. Para Steiner, o trabalho de uma vida consiste em iluminar o astral pelo Eu: deixar de ser simplesmente arrastado pelas paixões e tornar-se aquele que escolhe. Esta perspetiva tem afinidades com a psicologia profunda de Jung — o trabalho com a sombra e os complexos — e com a tradição estoica do governo das paixões.

No tarô, o arcano A Lua — com as suas águas, animais e caminho noturno — é a paisagem astral por excelência: o reino dos sonhos, das emoções, dos medos antigos. Já Os Amantes e O Diabo representam, respetivamente, o astral elevado (amor que escolhe) e o astral capturado (paixão que escraviza). Na astrologia, a Lua é a regente do astral pessoal; o signo de Escorpião, a sua face transformadora. O corpo astral é a memória do sentir.

Também conhecido como

  • corpo emocional
  • corpo de desejo
  • corpo sideral
  • veículo subtil
  • corpo psíquico

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