Mitologia

Maat

Maat (egípcio Ma'at) é a deusa egípcia da verdade, da justiça, da ordem cósmica, do equilíbrio e da harmonia social. Filha de , esposa de Tot, é simultaneamente personificação divina e princípio metafísico que sustenta o universo. A sua pena de avestruz pesa-se contra o coração no julgamento. No Tarô corresponde à Justiça.

Mito e origem

Maat é simultaneamente deusa e conceito abstrato, presente na cultura egípcia desde o Antigo Império (c. 2700 a.C.). Os Textos das Pirâmides já mencionam o faraó como aquele que 'ergue Maat e bane Isfet' (o caos). Como princípio, Maat designa a ordem correta do cosmos estabelecida pelo criador no primeiro dia: o curso regular dos astros, das estações, da inundação do Nilo, e também a justiça social, a verdade na palavra, a retidão moral. A sua oposição é Isfet, o desordenamento, a mentira, a injustiça.

Como deusa, Maat é filha de Rá nascida no momento da criação, sentada na barca solar a cada dia, sustentando a viagem cósmica. Em alguns relatos casa com Tot, com quem forma um par de princípios complementares: ela é a ordem, ele é a sua expressão verbal. O templo dedicado a Maat em Karnak, embora pequeno, foi sítio de juramentos legais, e cada juiz egípcio usava ao peito uma estatueta da deusa como insígnia do seu cargo. A frase ritual 'agir segundo Maat' (iri Maat) era exigência feita a todo o funcionário.

Atributos e histórias

Os seus atributos são a pena de avestruz sobre a cabeça ou na mão, o cetro uas, o ankh, as asas estendidas nas representações tardias. A pena foi escolhida porque as plumas de avestruz têm barbas todas do mesmo comprimento, sinal de perfeita simetria e equilíbrio. A deusa é frequentemente representada sentada sobre o pedestal hieroglífico que significa 'fundamento', sublinhando que Maat é a base de tudo.

No Livro dos Mortos (c. 1550 a.C.), o Capítulo 125 detalha o julgamento do defunto na Sala das Duas Maat: o coração é colocado num prato da balança, a pena de Maat no outro. Anúbis ajusta o fiel, Tot regista o resultado, e Osíris preside como juiz supremo. O defunto recita a Confissão Negativa, sequência de 42 declarações dirigidas a 42 juízes assessores: 'não matei', 'não roubei', 'não menti', 'não cometi adultério', cada uma associada a um nomo do Egito. Apenas quem equilibra a pena entra no reino de Osíris; quem não, é devorado por Ammit, monstro com cabeça de crocodilo, dorso de leão e traseira de hipopótamo.

Receção moderna

Jan Assmann, em Maat: l'Égypte pharaonique et l'idée de justice sociale (1989), argumentou que Maat representa o primeiro sistema ético-político integrado da história, fundamento da justiça mediterrânica posterior. O movimento Kemetic Orthodox de Tamara Siuda (1989) integra-a como princípio central da prática espiritual. Maulana Karenga, ativista afro-americano e criador do Kwanzaa, escreveu Maat: The Moral Ideal in Ancient Egypt (2003) propondo-a como base ética alternativa para a comunidade negra contemporânea.

O movimento African-Centered Education e a Negritude usam Maat como reconhecimento da contribuição africana à filosofia ética. Em literatura, surge em romances de Christian Jacq e Naguib Mahfuz. O asteroide 11518 Maat é usado em astrologia esotérica para indicar capacidade de equilíbrio, ética profissional e busca pela verdade. Quem no teste Descobre a tua deidade mitológica obtém Maat trabalha temas de integridade, justiça, equilíbrio interior, vocação jurídica ou educativa, e relação consciente com a verdade.

Profundidade simbólica

No Tarô, Maat corresponde diretamente a A Justiça (Arcano VIII ou XI), pela balança e pela espada do discernimento, e à Julgamento (Arcano XX), pelo julgamento dos mortos. Astrologicamente liga-se ao signo de Balança e a Saturno como mestre da estrutura ética. Na cabala, ressoa com Geburah (rigor) e com a coluna do meio da Árvore da Vida (equilíbrio).

Simbolicamente, Maat encarna o princípio do justo peso: o coração vivido deve igualar (não exceder) a leveza da verdade. A pena é mais leve que qualquer mentira; só o coração purificado da culpa pode ser tão leve quanto ela. Vê o hub do glossário para Tot, Anúbis e o complexo egípcio do julgamento dos mortos.

Também conhecido como

  • Ma'at
  • Mayet
  • Senhora da Pena
  • Filha de Rá
  • Princípio Cósmico

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