Mitologia

Osíris

Osíris (egípcio Wesir) é o deus egípcio dos mortos, da vegetação e da ressurreição. Esposo de Ísis, irmão de Set e Néftis, pai de Hórus, foi assassinado pelo irmão e revivido para reinar sobre o submundo. Encarna o ciclo morte-renascimento da vegetação e do Nilo. No Tarô ressoa com O Enforcado e A Morte.

Mito e origem

Os Textos das Pirâmides (c. 2400 a.C.) já contêm fórmulas para identificar o faraó morto com Osíris, sinalizando a sua centralidade desde o Antigo Império. A narrativa completa do mito, porém, foi preservada por Plutarco no tratado Sobre Ísis e Osíris: Osíris reinou como primeiro rei do Egito, ensinou aos humanos a agricultura, as leis e o culto aos deuses. O seu irmão Set, ciumento, conspirou para o matar, prendendo-o num cofre talhado à medida do seu corpo, lançando-o ao Nilo.

O cofre arrastou-se até Biblos, na Fenícia, onde foi encerrado num tronco de tamargueira. Ísis recuperou-o e regressou ao Egito, mas Set encontrou o cadáver e despedaçou-o em catorze pedaços, espalhando-os pelo país. Ísis e Néftis recolheram-nos todos, exceto o falo devorado por um peixe do Nilo. Reconstituído com mumificação realizada por Anúbis, Osíris ressuscitou parcialmente, suficiente para conceber Hórus com Ísis e descer ao submundo como seu rei. O culto principal centrava-se em Abidos, onde o seu túmulo simbólico era visitado em peregrinação anual desde pelo menos a XII dinastia.

Atributos e histórias

Os seus atributos são o cetro heka (báculo de pastor) e o azorrague nekhakha (mangual), insígnias da realeza, a coroa atef com duas plumas de avestruz, a pele verde ou negra que simboliza vegetação ou terra fértil, e o pilar djed, símbolo da estabilidade da sua coluna vertebral. O Livro dos Mortos (c. 1550 a.C.) descreve-o entronizado na sala da Maat, presidindo o julgamento dos defuntos com 42 juízes assessores.

O julgamento de Osíris é uma das cenas mais reproduzidas da iconografia funerária egípcia: o coração do defunto era pesado na balança contra a pena de Maat, presidida por Anúbis, anotada por Tot, vigiada pelo monstro Ammit. Quem passava no juízo tornava-se ele próprio um Osíris justificado, recebendo o nome Osiris N. nos epitáfios. Os jardins de Osíris, pequenas caixas de terra com sementes de cevada que germinavam ao longo da época, eram colocados nos túmulos como promessa de renascimento.

Receção moderna

James George Frazer, em O Ramo de Ouro (1890-1915), incluiu Osíris entre os deuses agrários que morrem e ressuscitam (com Adónis, Atis e Tamuz), tese muito debatida mas culturalmente influente. Carl Gustav Jung viu nele o arquétipo do Self em processo de morte e ressurreição, e cita o mito repetidamente em Mysterium Coniunctionis (1955-56). A alquimia hermética renascentista, com Athanasius Kircher e Michael Maier, identificou-o com o processo da nigredo seguida de rubedo.

A Ordem Hermética da Aurora Dourada, fundada em 1888, fez da fórmula 'I.A.O.' (Ísis, Apófis, Osíris) o núcleo da iniciação adepta, com Osíris a representar o sacrifício e a ressurreição. Aleister Crowley, em Liber Resh, prescreveu adorações solares a Osíris ao meio-dia. Quem no teste Descobre a tua deidade mitológica obtém Osíris trabalha temas de luto, dignidade soberana, regeneração após perda e capacidade de governar a partir do silêncio interior.

Profundidade simbólica

No Tarô, Osíris corresponde a O Enforcado (Arcano XII), pelo sacrifício e suspensão, a A Morte (Arcano XIII), pela transformação, e ao Julgamento (Arcano XX), pelo julgamento dos mortos. Astrologicamente liga-se ao Sol e a Plutão em conjunção. Na cabala, ressoa com Tiferet, a Sephira central da morte sacrificial do ego e do nascimento do filho solar.

Simbolicamente, Osíris encarna o princípio do morrer fecundo: como o grão que apodrece para germinar, como o Nilo que inunda e retira. O pilar djed levanta-se ritualmente para reafirmar a vitória da estabilidade vital sobre a entropia. Vê o hub do glossário para Ísis, Hórus e a tríade osiríaca completa.

Também conhecido como

  • Wesir
  • Asar
  • Onnofris
  • Khentamentiu
  • Senhor do Ocidente

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