Thor
Thor (nórdico antigo Þórr, «trovão») é o deus do trovão, do raio, da tempestade, da força e da fertilidade no panteão nórdico. Filho de Odin e de Jörð (a Terra personificada), é o defensor de Asgard e dos homens contra os gigantes (jötnar). Empunha o martelo Mjölnir, forjado pelos anões Brokkr e Sindri, que regressa sempre à sua mão e lança raios ao bater. Conduz um carro puxado por dois bodes, Tanngrisnir e Tanngnjóstr. Veste o cinto de força Megingjörð. Era o deus mais popular entre camponeses, guerreiros e marinheiros. Vê também Odin e as runas.
Mito e origem
As fontes literárias sobre Thor são sobretudo a Edda Poética (séculos IX-XIII), com poemas como o Þrymskviða e o Hárbarðsljóð, e a Edda em Prosa de Snorri Sturluson (c. 1220), em particular o Gylfaginning e o Skáldskaparmál. A Saga Ynglinga de Snorri inclui-o entre os Æsir históricos. A sua origem indo-europeia remonta ao deus do trovão primordial reconstruído como Perkwunos, paralelo do hindu Indra, do eslavo Perun, do báltico Perkūnas e do hitita Tarhunna.
Na cultura germânica continental era conhecido como Donar, de onde provém o nome alemão de quinta-feira (Donnerstag) e o inglês Thursday. Tácito, na Germania de 98 d.C., identifica-o sob a interpretatio romana com Hércules pela sua força. A arqueologia escandinava, especialmente entre os séculos VIII e XI, fornece centenas de pequenos amuletos em forma de martelo (Þórshamarr) usados como contrapeso pagão à cruz cristã durante a conversão lenta da Escandinávia.
Atributos e histórias
Thor é o guardião da ordem cósmica contra o caos dos gigantes. No Þrymskviða, recupera Mjölnir, roubado pelo gigante Þrymr, disfarçando-se de noiva (Freya) durante o banquete nupcial — comédia épica em que devora um boi inteiro e oito salmões. No Hymiskviða, pesca a Serpente do Mundo Jörmungandr com cabeça de boi como isco, num gesto cosmogónico que prefigura o seu duelo final no Ragnarök. Visita a corte de Útgarða-Loki, onde sofre humilhações que se revelam ilusões mágicas: o gato cinzento era a serpente, a velha era a velhice.
A sua iconografia é inconfundível: cabelo e barba ruivos, olhos de fogo, braços fortes, cinturão Megingjörð que dobra a sua já gigantesca força, e luvas de ferro Járngreipr necessárias para empunhar Mjölnir. Os bodes do seu carro podem ser abatidos e comidos à noite e ressuscitar de manhã, desde que os ossos fiquem intactos sobre as peles — episódio que custou ao filho do camponês Þjálfi, que rachou um osso, tornar-se servo do deus. No Ragnarök, matará Jörmungandr e cairá envenenado nove passos depois.
Receção moderna
Wagner deu-lhe voz como Donner em O Ouro do Reno (1869), invocando o trovão sobre o arco-íris Bifröst. No século XX, o seu maior renascimento popular veio da banda desenhada Marvel: criado em 1962 por Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber, alcançou um público global através dos filmes do Universo Cinematográfico Marvel desde 2011, interpretado por Chris Hemsworth. Esta versão hollywoodesca afastou-se substancialmente da mitológica — Thor passou de ruivo barbudo a louro escanhoado — mas reintroduziu o deus na cultura pop.
No neopaganismo Ásatrú, Thor é o deus mais venerado pelos praticantes ligados ao trabalho manual, à proteção da família e à defesa da comunidade. O Þórshamarr continua a ser usado como símbolo identitário. Em correspondências espirituais, associa-se à influência de Júpiter pela força benévola e à de Marte pela coragem. No tarot, evoca a Força (XI) e o Carro (VII). Descobre a tua afinidade no teste de divindades ou explora o Ragnarök.
Profundidade simbólica
Thor é o arquétipo do defensor, da força bruta posta ao serviço da ordem e da comunidade. Mjölnir é símbolo da palavra performativa: o martelo que abençoa casamentos, que consagra fronteiras, que pulveriza o caos. Na linguagem da alquimia, é o martelo do ferreiro que separa o impuro do puro pelo golpe. Jung viu nele uma expressão do arquétipo do herói solar e da função extrovertida-sensorial: o homem de ação direta, não cerebral, em contraste com o pai Odin.
Em astrologia, Thor ressoa fortemente com Sagitário (entusiasmo, fé na vida, força jovial) e com Áries (impulso guerreiro). A sua ligação ao trovão e à chuva fertilizante coloca-o na fronteira entre o céu masculino e a terra recetiva, motivo recorrente nas mitologias agrícolas indo-europeias. Para os xamãs lapões e finlandeses, o som do trovão era a voz do deus a perseguir demónios pelo céu. Aprofunda em Yggdrasil, Loki (seu antagonista frequente) e no Glossário completo.
Também conhecido como
- Donar
- Þórr
- Þunnor
- Thunor
- Asa-Thor